terça-feira, 15 de maio de 2012

Mini Fórum de Negócios Internacionais - "As novas regras para o setor automotivo"

Texto analítico

Desde Dezembro/11, os carros importados pagam 30 pontos percentuais a mais de IPI sobre os veículos importados, salvo aqueles que são importados do México e Mercosul. Todo o cenário indica que o governo pretende, com a medida, estimular o investimento no setor em nosso país, exigindo maior uso de peças e mão-de-obra brasileiras no processo produtivo. Certamente, são regras mais rígidas que devem determinar a competitividade e o nível do índice de nacionalização do veículo, sobretudo, aquele relacionado ao processo produtivo, exigindo naturalmente maior investimento em P&D.

Fonte base: Folha de São Paulo – 17/03/2012 


Com base no contexto acima e nos estudos realizados, argumente sobre as afirmações abaixo:

1.    “A medida deve estimular a médio/longo prazo um contexto de fortalecimento das empresas nacionais que formam o arranjo produtivo do setor“
2.    “No caso das importações via México, o novo acordo poderá incentivar as montadoras a migrar a produção de determinados modelos de automóveis para o Brasil.”


Informações:

- Fórum aberto para a Turma de MBA em Negócios Internacionais da FMU
- Período para as postagens avaliativas (comentários): 25/05 - 01/06/12 (23h59m)



Mini Fórum - As perspectivas para a internacionalização das empresas

Texto analítico

“As empresas médias brasileiras inovam pouco, desconhecem os incentivos fiscais à inovação e quase não fazem parcerias com universidades e institutos de pesquisa. Hoje, segundo o estudo, 80% não usam incentivos fiscais, 69% não fazem parcerias e 29% dizem que a inovação não está no DNA da empresa.
Podemos afirmar que as médias empresas fazem parte dos processos inovativos das grandes empresas. Existe uma relação contextualizada em que as médias inovam, às vezes, por conta da demanda das grandes empresas. Portanto, se as médias vão mal, as grandes sofrem por efeito cascata. É necessário uma readequação nos modelos de gestão da inovação nas redes formadas pelas PME’s, no sentido de alimentar todo um sistema de produção com características globais”.

Fonte: Folha de SP – 24/03/12
Adaptado por: Prof. Fernando Bueno

TEMA / FÓRUM

“As influências sobre a capacidade de competição e internacionalização dos negócios a partir do contexto de estagnação das dinâmicas operacionais/produtivas das PME’s.”

Argumente sobre o tema expondo sua opinião e caracterizando a realidade do cenário.


Período das postagens avaliativas (comentários): 30/05/12 a 04/06/12 (23h:59m.)

Turmas: MBA em GEN  da FMU







segunda-feira, 5 de março de 2012

Mini Fórum de Marketing Internacional - FMU/MBA

CONTEXTO ANALÍTICO - AVALIAÇÃO



"A internacionalização da economia tem conferido às empresas a operacionalizarem em um novo contexto global de mercado no que se refere a escolha de fornecedores e matéria-prima, escolha de como e onde produzir seus produtos independentes de sua localização geográfica. Portanto, novas plataformas de geração de vantagens competitivas estão em pauta. A evolução do comex/marketing global passa pelos efeitos da internacionalização dos processos produtivos em resposta as proteções tarifárias (década de 70), da desaceleração da economia e saturação dos mercados ditos ricos, da ascensão econômica de alguns países, da própria formação dos BRIC´s, das novas tecnologias...... e etc, remodelando, seguramente, os perfis de demanda."





Tema do Fórum:




"As consequências para o Marketing Global a partir do contexto de internacionalização das empresas"





Argumente sobre o tema e justifique sua opinião!



Período de avaliação das postagens /alunos da MBA-FMU: 06/03 a 20/03/12
Adicionar aos comentários: nome completo, curso/turma e instituição



Demais comentários: livre




COMUNICADO



21/03/2012 às 14:00 hs


PRAZO ENCERRADO PARA OS COMENTÁRIOS AVALIATIVOS DOS ALUNOS DO MBA EM MARKETING DA FMU
















segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Artigo: Logística Reversa e Sustentabilidade

RESUMO
No mundo atual, a competitividade nos obriga a aderirmos à inovação desenvolvendo novos conceitos de gestão. Embora já se discuta e se aplique em alguns setores, a logística reversa precisa ser mais explorada e vivenciada de forma que seja concebida no cerne da cultura das organizações que pretendem ser cada vez mais sustentáveis e competitivas.
O primeiro contexto do trabalho explicará os aspectos da trajetória da logística reversa, quando surgiram as primeiras iniciativas e como está a adoção e sua na atualidade. No decorrer do trabalho, as abordagens irão ao encontro das atitudes quanto à adoção e gestão da cadeia de reversa e por meio de um estudo de caso empresarial, dar-se-á um entendimento no que tange os fatores geradores de valor a partir do processo reverso e os respectivos benefícios da responsabilidade social a partir da adoção e aplicação sustentável. E finalizando, as considerações e perspectivas referente à análise.


Prof. Fernando Bueno; Profa. Estela Sales; Prof. Enio Fernandes

Revista Ajes - 6º Edição - ISSN: 2177-5923



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Treinamentos EGD - AHK








1. Treinamento na AHK dia 22/03/12 das 9:00 às 16:00 hs



Tema: O Marketing e o Contexto Socioambiental: uma abordagem ética



2. Treinamento na AHK dia 02/04/12 das 13:00 às 17:00 hs


Tema: A nova orientação do Marketing e Vendas: Os desafios para o Século XXI



3. Treinamento na AHK dia 24/04/12 das 09:00 às 16:00 hs


Tema: Empreendedorismo e Inovação: "empreender è inovar"




4. Treinamento na AHK dia 15/06/12 das 9:00 às 16:00 hs


Tema: Desmistificando a Análise de Investimentos



Palestrante/Moderador : Prof. Me Fernando Bueno

Inscrições / Informações: Site da AHK Brasil


www.ahkbrasil.com


Link: Cursos/Seminários














quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cursos e Treinamentos



Serão realizados, a partir de Fevereiro, diversos cursos voltados à gestão que serão ministrados na sede da Câmara do Comércio e Indústria Brasil - Alemanha em parceria com a empresa EGD Marketing & Eventos (Prof. Fernando Bueno). Os cursos serão intensivos e serão ministrados em um único dia com a participação do prof. Fernando Bueno e demais colaboradores.



Certamente, será uma oportunidade única para desfrutar das novidades que a gestão moderna está oferecendo.



Serão cursos que contemplarão as áreas de Marketing, Empreendedorismo & Inovação, Responsabilidade Socioambiental, finanças corporativas e gestão da produção.






Informações:





















sábado, 29 de outubro de 2011

Automóveis mais baratos e mais empregos: qual o segredo?

O que precisamos para ter carros mais baratos, manter e ainda gerar mais empregos?

Estamos no centro de um período em que muitos produtos, antes custosos e com baixo desempenho, estão cada vez mais baratos e eficientes/eficazes. Estamos nos referindo aos eletrodomésticos (televisão, geladeira...), eletrônicos (computador, filmadoras..) entre outros , mas ainda não mencionamos os automóveis.
Os automóveis, seguramente, estão melhores e mais eficientes. Entretanto, pouco acessíveis para o consumidor final. É passível de indignação quando nos deparamos com notícias que abordam determinados cenários internacionais como: “países em que as pessoas possuem rendas maiores que as nossas compram um veículo pela metade do preço”. Mas por que este cenário insiste em aparecer?
Certamente, podemos dar um basta nessa história de falar que a culpa é exclusivamente dos impostos. A FIESP Aponta isso como razão maior dos problemas enfrentados pela indústria de transformação. Seguramente, os impostos pesam no composto produtivo, mas em qualquer lugar do mundo eles existem e são altos também. A realidade nua e crua é que as montadoras de automóveis possuem um nível de margem de lucro tal que outros setores não conseguem acompanhar o cenário de lucratividade das montadoras. Não pretendemos entrar no mérito da discussão das razões dessa margem, mas devemos entender que isto se mantém pela falta de concorrência. Elas (poucas montadoras) são os agentes dominantes de um mercado em franco crescimento.
Pois bem, temos boa memória e sabemos que “escancarar” as portas do Brasil e trazer veículos de outras nacionalidades é desastroso para a produção nacional (O trabalhador brasileiro, em tese, sofre os impactos dessas ações). Isto já foi feito há duas décadas (e estão começando a fazer de novo trazendo os carros chineses), e o saldo final foi uma massa desempregada. Para complicar, os concorrentes internacionais se adequam ao sistema nacional, que é atrativo, e com o tempo passam a ser mais um no cartel, não contribuindo tanto no quesito “custos” para o consumidor final. E ainda, as montadoras ditas locais começam a importar componentes (dizendo ser o único meio de manter a competitividade) ou tornam-se também importadoras.
Cada veículo possui em média uma “tonelada” de componentes encaixados que geram muitos empregos e poderiam ser fabricados no Brasil. É isto que precisamos para o desenvolvimento da cadeia produtiva no Brasil; o que gera e mantém empregos para a nossa geração e, sobretudo, para as futuras gerações é criar/fazer os componentes automotivos. Quando saímos na rua e vemos um veículo importado rodando, trata-se de um golpe na geração de empregos. O veículo e um relevante gerador de emprego, além de ser uma boa fonte de arrecadação pública; e o melhor de tudo: precisamos e desejamos marcas, modelos e tudo aquilo que o automóvel é capaz de contemplar.
Vamos agora para a questão central: Veículos mais “baratos” = manutenção e geração de empregos?
Quando importamos, em tese, temos preços mais baixos e como consequência, gera-se desemprego. Este é o cenário com o qual nos deparamos. Entretanto, será que não dá para contemplar os dois fatores da equação acima, ou seja, torná-la de fato uma equação em que um lado corresponde ao outro?
Após muito discutirmos o cenário, chegamos a conclusão que sim, há um meio. A resposta da equação está aqui dentro de nossas fronteiras e diga-se de passagem, território este que é propício para se trabalhar e gerar renda.
A pergunta que poderia responder a equação: Por que não surgem no Brasil montadoras nacionais? Impossível de acontecer?
De modo algum, isto é realmente possível. Temos uma rede de fornecedores de autopeças que dominam e fabricam praticamente todas as peças dos veículos. Temos grandes produtores de ferro, borracha, vidro, plásticos e alumínio que são os principais insumos na fabricação dos componentes. Os componentes os quais temos dificuldade de produzir devido as tecnologias externas são poucos e podem ser importados, pois o automóvel, em função de sua natureza produtiva, tornou-se um produto modular, ou seja, compram-se as partes (pacotes) em qualquer parte do mundo e depois realiza a montagem até se transformar num veículo.
O que estamos esperando para iniciar uma dúzia de montadoras nacionais? Porque os grandes produtores de commodities (ferro, borracha, alumínio e etc) não aumentam o valor agregado de seus produtos entrando nesse segmento?
Agora vem a questão da importação: o que fazer para evitar a concorrência de países que entregam automóveis com design moderno, de baixo custo de aquisição e que apresentam um ciclo de vida curto, ou seja, sua durabilidade é pequena?
Seguramente, temos uma boa alternativa e não refere-se a proibir sistematicamente a importação impondo cotas, por exemplo. Este mecanismo não tem mais espaço no mundo globalizado de hoje, o que realmente precisamos é impor barreiras técnicas eficientes (que é uma forma de protecionismo, porém, uma forma inteligente), da mesma forma que os EUA e os países da Europa fazem.
Se para cada tipo de veículo importado, houver uma lista bem elaborada de exigências quanto o desempenho e segurança do veículo, certamente, o cenário seria diferente. Temos o “Inmetro” que realiza tais procedimentos técnicos para muitos produtos evitando que nosso mercado seja inundado com produtos ineficientes que, por sua vez, eliminam a capacidade de geração de emprego das nossas empresas e ofendem o consumidor consciente.
Segue um exemplo: O consumidor (no mundo inteiro) compra aquilo que alinha-se as expectativas dele e o elemento ‘qualidade e preço’ são condicionantes na decisão de compra. Em alguns segmentos, por exemplo, os mais populares, o preço ainda representa um elemento estimulador de primeira ordem e a qualidade, o consumidor verificará depois do ato já consumado. Na contramão disso, se o produto não tiver requisitos mínimos de qualidade e segurança , certamente, o mesmo poderá ser uma ameaça à segurança e aos direitos mínimos garantidos por lei desse consumidor. Uma prova disso foi um modelo de perua asiática que inundou nosso mercado nos anos 90 e foi muito usada por vendedores de lanches de rua. O Veículo parecia funcional, baixo custo, porém, em determinadas situações de frenagem, o veículo capotava com muita facilidade, além das questões relacionadas a uma mecânica frágil.
Se esses veículos fossem submetidos ao processo de certificação com normas brasileiras exigentes de um mercado desenvolvido e preocupado com a credibilidade do setor, tudo seria bem diferente. O governo deve atuar nesse sentido, porque o consumidor desse segmento, e não é só no Brasil, não consegue ainda na proporção ideal avaliar e definir a qualidade e a segurança do produto que compra. Não é prioridade para uma grande fatia do mercado.
O governo está acenando com incentivos que isentam os tributos do produto final progressivamente, ou seja, quanto mais componentes “made in Brazil” for incorporado ao produto final, maior será a carga de incentivos fiscais. Seguramente, é um cenário promissor para as nossas bases locais de desenvolvimento de produtos, mas não suficiente. Será necessário um plano industrial de incentivos as montadoras nacionais e investir massivamente em barreiras técnicas impedindo uma concorrência externa de qualidade inferior de forma a credibilizar o setor e, sobretudo a P&D, solidificando e gerando empregos sustentáveis, proporcionando preços mais acessíveis e maior qualidade e segurança.




Autores: Engº Cássio Cozman
Prof. Me. Fernando Bueno
Postado em 28/10/2011


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Desenvolvimento Econômico e Desigualdade:as novidades pós consenso de Washington



Fonte/Autor: Carlos Lopes, Set/2011


A palavra “pós” tornou-se num lugar-comum, sendo usada nas várias vertentes dos cenários da globalização, assinalando a ruína de conceitos ocidentais usados durante muito tempo para explicar e governar o mundo. Com a crise avassaladora que atingiu os países ricos(2) e o falhanço dos sistemas financeiros que regem a economia global, entramos numa nova era. Ela é caracterizada por mudanças não só conjunturais, mas também estruturais. È uma profunda transformação que afecta percepções e distribuição de poder. Será esta transformação o fim do chamado Consenso de Washington?
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O que significa o Consenso de Washington?
O termo Consenso de Washington tem origem num conjunto de regras básicas, identificadas pelo economista John Williamson em 1990, baseadas no pensamento político e opiniões que ele acreditava reunirem consenso amplo naquela época. O conjunto de medidas incluía: 1) disciplina fiscal; 2) redução dos gastos públicos; 3) reforma tributária; 4) determinação de juros pelo mercado; 5) câmbio dependente igualmente do mercado; 6) liberalização do comercio; 7) eliminação de restrições para o investimento estrangeiro direto 8) privatização das empresas estatais; 9) desregulamentação (afrouxamento das leis económicas e do trabalho); 10) respeito e acesso regulamentado à propriedade intelectual. A referência a “consenso” significou que esta lista foi baseada num conjunto de ideias partilhadas, na época, pelos círculos de poder de Washington, incluindo o Congresso e a Administração dos Estados Unidos da América (Tesouro e Federal Reserve Bank), por um lado, e instituições internacionais com sede em Washington, tais como o FMI e o Banco Mundial, por outro, apoiados por uma série de grupos de reflexão e economistas influentes.
É importante notar que os alicerces teóricos na base destas recomendações políticas se encontram na economia neoclássica, que expressa uma firme convicção na necessidade de deixar agir a “mão invisível” do mercado. Trata-se da crença na racionalidade da escolha dos actores económicos, e visão minimalista da regulação económica dos Estados. O advento deste novo paradigma também marcou o recuo da economia do desenvolvimento como campo distinto, depois de dominada pela Teoria da Dependência e outros conceitos [NAIM, 1999], que frequentemente se encontravam em nítido contraste com a economia neoclássica e o individualismo metodológico. Foi a economia do desenvolvimento que guiou a formulação de políticas alternativas em países ditos em desenvolvimento antes da era do Consenso de Washington. A maioria dos governos Africanos independentes, por exemplo, tentou promover a industrialização, num esforço para criar produtos locais de substituição de importações, promover o emprego, aumentar o nível de vida, e sair do ciclo vicioso dos padrões de comércio. Estas hipóteses foram sobretudo estruturadas pela dupla Prebisch-Singer (termos de troca desfavoráveis para países exportadores de produtos de base e importadores de produtos manufaturados). As soluções oferecidas pelo Consenso de Washington, apresentadas como universais, contrapunham estas teorias e pretendiam ter uma aplicabilidade similar em todos os países, embora na realidade essa universalidade apelasse para tratamentos discriminatórios.
As políticas do Consenso de Washington foram aplicadas durante mais de duas décadas em contextos muito variados na África, América Latina, países da Europa de Leste e Ásia Central. Os países normalmente passavam por duas grandes fases, com o foco de intervenção a expandir-se primeiro na estabilidade macroeconómica e ajustamentos estruturais e, depois, incluir reformas institucionais que podiam incluir lutar contra a corrupção e ineficiências de infra-estruturas. [NAIM, 1999] A condicionalidade exercida pelas instituições de Bretton-Woods e países ricos, tiveram um papel decisivo nas decisões dos países endividados do Sul. Impulsionaram reformas de estabilização macro-económica e programas de ajustamento estrutural. O problema do dívida que emergiu durante os anos 70’ até aos anos 80’, na América Latina, e depois também no contexto africano, aumentou ainda mais a dependência desses países dos empréstimos externos, não deixando outra opção senão seguir as prescrições que permitiam aceder a financiamentos.
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O que falhou?
As políticas do Consenso de Washington foram muito criticadas por um largo número de economistas de renome desde os anos 90’. De maneira notória até Joseph Stiglitz, que foi economista-chefe do Banco Mundial, criticou as políticas do FMI em resposta às crises financeiras na Rússia e na Ásia. [STIGLITZ, 2003] Paul Krugman foi a favor de impor o controlo no fluxo de capitais pelos governos asiáticos em 1997-98. Gerou-se um debate sobre a resposta à crise que ilustrou bem o profundo desacordo entre economistas de renome, defendendo posições opostas, de apoio ou de oposição ao FMI. Os puristas do Consenso de Washington insistiam na importância da estabilização das taxas de câmbio em tempos de crise, através de cortes no orçamento público, impostos e taxas de juro mais altos e outras medidas recessivas. Os seus opositores criticavam estas políticas, que na sua opinião conduziriam a uma recessão. [NAIM, 1999] Stiglitz chamou a atenção para o facto dos aumentos fortes nas taxas de juro contribuirem para o agravamento da crise [STIGLITZ, 2003].
Atualmente é um denominador comum dizer que ajustamentos estruturais e programas de estabilização macro-económica tiveram um impacto desastroso nas políticas sociais e nos níveis de pobreza em muitos dos países. No seguimento da primeira vaga de reformas adotadas pelos países africanos e latino-americanos endividados -incluindo cortes nas despesas públicas, introdução de medidas de recuperação de custos nas áreas da saúde e educação, e reduções na proteção industrial, levando a um aumento do desemprego, probreza e distribuição de rendimentos- a UNICEF produziu o relatório “Adjustment with a Human Face”, instigando o redirecionamento das “meso-políticas” para a proteção de setores económicos e sociais cruciais para a sobrevivência dos pobres, através da introdução de programas de proteção social. [UNICEF, 1987]
O período de ajustamentos estruturais na África Sub-Sahariana, nos anos 80, foi marcado por um baixo desempenho económico. Os dados para o período entre 1979-1992 mostram que o PIB aumentou menos de 1% em África, enquanto no Leste Asiático e no Pacífico, onde o Estado teve políticas ativas nas áreas industriais, sociais e de mitigação da pobreza, registou-se um crescimento médio de 5% – entre 1986 e 1992. As exportações africanas estagnaram durante o mesmo período, enquanto os investimentos declinavam. A quota de exportações mundiais de África diminuiu em mais de metade entre 1975 e 1990. Também a quota de exportação de alimentos e bens alimentares dos países em vias de desenvolvimento caiu de 21% para 8,1%. Para bens manufaturados, a quota baixou de 7,8% em 1980 para 1,1% em 1990. Alguns críticos chamaram a atenção para o fato das políticas de liberalização e eliminação de subsídios de fertilizantes afetarem negativamente a produção agrícola e os rendimentos. A reforma dos preços promoveu a exportação de produtos de exportação em vez de culturas alimentares tradicionais. Outros críticos argumentaram que as culturas de exportação contribuíram para aumentar a dívida; ou ainda que os programas de ajustamento estrutural exacerbaram a distribuição desigual da terra, sob a promessa de que os preços da terra seriam eficientemente regulados pelo mercadoem vez de sistemas de titulação mais arcaicos; ou que incentivariam a desindustrialização, através da privatização e promoção de mercados desregulados. [SAHN, DOROSH, YOUNGER, 1997]
Um dos inconvenientes maiores das políticas impostas pelo FMI e Banco Mundial em África foi a falta de domínio técnico e capacidade estratégica por parte dos países implementadores. Estabeleceu-se uma relação estruturalmente desigual entre doador e beneficiário, em parte devido à debilitação de capacidades no setor público provocados pela redução drástica da máquina administrativa. Uma rápida e incontrolada liberalização das então pequenas economias africanas colocou outros perigos, tais como uma alta volatilidade de fluxo de capitais, mas mais importante, e que representa um problema maior para as economias africanas, o fato do “seu potencial crescimento ter sido diretamente afetado pela sua capacidade de exportar e usar rendimentos da exportação para diversificar a produção. A sua capacidade foi constrangida por um regime de comércio global inimigo do desenvolvimento e das vantagens comparativas dos países africanos. O acesso limitado aos mercados de texteis de baixo-custo, algodão e produtos agrícolas e a competição por parte da exportação de economias industriais altamente subsidiadas diminuíram o crescimento efetivo.» [MANUEL, 2003]
O impacto social destas reformas foi desastroso para a África Sub-Sahariana. Muitos economistas reconheceram que as dificuldades associadas com a aplicação da estabilidade macroeconómica e a liberalização das economias afetou os pobres desproporcionadamente, contribuindo para maior pobreza e distribuição desigual de rendimentos. As instituições financeiras internacionais, particularmente o Banco Mundial, demonstraram uma grande arrogância intelectual, não reconhecendo durante muito tempo o imenso impacto negativo destes programas, refutando as denúncias de muitos, limitando-se apenas a promover programas compensatórios. [SAHN, DOROSH, YOUNGER, 1997]
A estabilização macroeconómica e as políticas de ajustamento estrutural desencadearam uma onda de tumulto popular que contribuiu inclusive para o despoletar ou alimentar muitas guerras civis nos anos 90. A crise asiática de 1997 também levantou algumas questões importantes sobre as consequências da desregulação dos mercados financeiros e os limites do pensamento político baseado no Consenso de Washington.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Transformação da cadeia produtiva de P&G - Pré-Sal

No próximo dia 08/08/11, estarei participando do evento "Diálogos Capitais"com o tema "Pré-Sal - Uma transformação na cadeia produtiva de Petróleo e Gás", com participação do Governador Geraldo Alckmin, Paulo Skaf, Edison Lobão, José Sergio Gabrielli entre outros no hotel Caesar Business em SP.
O foco do evento será à análise de algumas alternativas e cenários no que tange o Desenvolvimento da Cadeia de P&G no Brasil, passando por todas as fases de implantação e sustentação quanto à exploração, desenvolvimento e produção.
Espero discutir os efeitos e a amplitude de atuação da Petrobrás, por meio do Governo Federal, no sentido de planejar, dirigir e controlar as dimensões organizacionais e de P&D de forma a preservar e sustentar uma cadeia produtiva que, certamente, passará por transformações a médio/longo prazo. A inovação e as medidas de fortalecimento da indústria de base nacional devem ser o foco do evento. Espero sinceramente que as questões partidárias e de conveniências unilaterais não sejam elementos centrais do seminário. Logo estarei postando novas informações. Prof. Fernando Bueno

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dolar: "hoje, o pior investimento!"

Especialistas recomendam compra apenas para quem vai viajar; Entenda por que a moeda norte-americana está barata
Fonte: Olívia Alonso, iG São Paulo 12.07.11

Para os brasileiros que viajam aos Estados Unidos, o momento é claramente favorável. Na hora de fazer compras, a sensação de multiplicar o valor da etiqueta por menos de 1,70 para saber o valor em reais é boa. Mas a vantagem do dólar barato pára por aí. Para especialistas, não vale a pena comprar a moeda norte-americana como investimento. “Pelo contrário, o dólar é a pior opção para investir no momento,” diz Luiz Filipe Rossi, professor de Finanças do Ibmec. Segundo ele, não há sinais de que a moeda dos EUA vá subir no curto prazo.
A principal causa do câmbio atual é a alta taxa de juros brasileira, que faz com que investimentos no País sejam atraentes para os norte-americanos. Como o juro pago na maior economia do mundo é baixo, o retorno é maior se eles enviarem seus dólares ao Brasil, pois recebem uma taxa mais alta pelo dinheiro aplicado em produtos financeiros brasileiros.
“Como a economia dos Estados Unidos é muito maior do que a brasileira, um pouco do investimento deles aqui acaba sendo um tsunami para o câmbio,” diz Rossi. Com a entrada de dólares, aumenta a oferta da moeda, que acaba ficando mais barata.
Outro fator que contribui para a desvalorização da divisa norte-americana é o preço das commodities – como a soja, a carne e o aço – que o Brasil exporta. “Esses produtos respondem hoje por cerca de 70% das exportações brasileiras. Com isso, conforme os produtores brasileiros vendem ao exterior, mais dólares entram no País,” acrescenta o consultor financeiro Humberto Veiga.
Essa situação não deve mudar nos próximos meses. Por isso, o dólar não é atrativo como investimento. Para fazer sentido pensar em comprar dólares, é preciso acreditar que a cotação não cairá ainda mais, diz o consultor. “Embora o preço da moeda norte-americana esteja baixo, não há garantia de que este é o piso. O investidor pode ver o dólar que comprou por R$ 1,55 chegar a R$ 1,45, assim como quem comprou a R$ 1,80 está com diante de uma cotação bem mais baixa agora,” afirma Veiga.
Na opinião dos especialistas, ainda que o presidente do Banco Central tenha dito nessa semana para as empresas não se endividarem em dólar, o que sugere que ele prevê que a moeda dos EUA terá uma valorização, isso não deve determinar a decisão de investidores. A aposta é de manutenção do atual cenário. “A luta do Banco Central para conter a inflação continua, o que significa que a taxa de juros deve permanecer alta,” afirma Rossi.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Greve das ETECs é censurada na mídia pelo Governo de SP

Caros Leitores,
Vocês sabiam que a ETEC (Centro Paula e Souza) está em greve?
Poís é......sim, está. Principal reinvidicação: Melhoria das condições salariais e benefícios. Hoje um professor I da ETEC recebe R$ 10,00 HA. Um absurdo total, depois o Governo vem a público dizer que está investindo no ensino técnico (Etec/Fatec) e que São Paulo é um exemplo no que tange a educação. Onde? Com este salário? e os benefícios? sem dizer no plano de carreira que praticamente não existe. Há um bom tempo os alunos das Etec's estão pagando por este descaso público e nenhum veículo de mídia divulga isso. Por que será?
Segundo o Sinteps (sindicato) o qual tenho contato, o governo ordenou aos principais veículos de mídia que isso não viesse à tona. O sindicato, por sua vez, está precisando "pagar" para que algumas informações possam ser veiculadas. Na "grande" mídia, nem pensar, pois segundo fontes seguras, não seria interessante para tais veículos de comunicação ir de encontro aos interesses do governo, pois o mesmo caracteriza-se como um dos principais "clientes" desses canais de comunicação....Este é o nosso governo, este é o nosso Estado, dito por ele mesmo, como o Estado mais desenvolvido do Brasil. Será?

domingo, 29 de maio de 2011

Remédio em excesso mata!

Por Amir Khair, fevereiro de 2011

Os remédios têm em suas bulas a posologia, ou seja, as dosagens que podem ser tomadas para produzir o melhor efeito no combate ao problema de saúde. O médico, após o diagnóstico, tem que decidir qual o remédio ministrar e a posologia adequada ao tratamento.

O mesmo ocorre para a economia. Uma das doenças a ser tratada é a inflação e o remédio mais usado tem sido uma alta taxa básica de juros, a Selic. A partir do dia 06/dez um novo remédio foi usado pelo Banco Central (BC) visando conter “certos excessos do mercado de crédito”. Ele impôs uma reserva maior de dinheiro pelos bancos quando concederem empréstimos para consumidores com prazo acima de dois anos. No caso de automóveis, essa reserva varia conforme a entrada que o comprador do veículo der. Além disso, o BC elevou o recolhimento compulsório dos bancos, tirando da economia cerca de R$ 65 bilhões.

Os efeitos deste remédio foram eficazes e imediatos, pois de acordo com o BC, até o final de janeiro, a taxa do crédito pessoal subiu de 40,3% para 49,4% ao ano, o prazo médio reduziu de cinco para quase três anos e a média diária das concessões de crédito pessoal caiu 19%! No caso dos veículos, a taxa do financiamento subiu cinco pontos nos bancos convencionais e quatro nos bancos de montadoras, o prazo médio recuou de três anos e meio para menos de três e a concessão de crédito caiu 45% nos bancos convencionais e 35% nos bancos das montadoras.

Outros indicadores confirmam queda ou estabilidade no nível de atividades depois dessas medidas macroprudenciais. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE de dezembro ficou estável em relação a novembro, e em janeiro, o indicador de atividade do comércio elaborado pela Serasa apresentou queda de 2,7%. Avalia-se que as vendas do varejo tendem a ser prejudicadas pela redução da oferta de crédito.

Quanto ao remédio taxa básica de juros a posologia adotada mundialmente é aproximá-la da taxa de inflação. Atualmente está um ponto abaixo da inflação na média mundial e nos países emergentes meio ponto abaixo. Mas no Brasil é de 5,5 pontos acima, ou seja, uma posologia anormalmente elevada, que além de não resolver a doença da inflação traz vários efeitos colaterais danosos ao corpo econômico.

1) Aumenta as despesas do governo – A Selic contamina no curto e no médio prazo todas as taxas de juros dos títulos do governo federal cuja dívida está atualmente em R$ 1,7 trilhões. Cada ponto de aumento da Selic aumenta a despesa com juros do governo federal em R$ 17 bilhões! Como essa dívida é crescente, especialmente por causa da elevação das reservas internacionais, do aporte de recursos do Tesouro Nacional ao BNDES – que são feitos com a emissão de títulos – e da Selic, esse dano será maior neste ano, anulando parte expressiva do corte de R$ 50 bilhões no orçamento do governo federal.

2) Causa elevado custo de carregamento das reservas internacionais – O BC tem mais de US$ 300 bilhões de reservas, que são aplicadas especialmente em títulos do Tesouro americano com juros de cerca de 1,5% e paga juros de 11,25%. Além disso, há a perda cambial com a valorização do real perante o dólar. No ano passado o custo de carregamento desta dívida foi estimado em R$ 26,6 bilhões pelo BC, mas esse cálculo parece conservador frente a outros estudos que apontam para R$ 45 bilhões. Neste ano deverá se elevar mais, pois crescem as reservas e a Selic em relação ao ano passado.

3) Valoriza o real perante o dólar – os especuladores do mercado internacional captam recursos a taxas próximas a zero e aplicam nos títulos do governo federal que pagam taxas elevadas. São ganhos líquidos e certos, sem riscos. O BC está dando um presentão a esses especuladores para manter o real apreciado e funcionar como âncora cambial, barateando as importações e encarecendo nossas exportações. Isso tira o poder competitivo das empresas do País tanto interna quanto externamente, causando um rombo nas contas externas, que pode se tornar explosivo. Esse risco existe, caso se mantenha essa situação, pois a política dos países desenvolvidos é continuar inundando o mundo com suas moedas para permitir elevar suas exportações e reduzir suas importações.

O mais grave é que o paciente Brasil ainda não se deu conta que está tomando o remédio errado e em doses cavalares. Ele tem, ainda, uma boa saúde, mas está ficando cada vez mais debilitado com os efeitos colaterais do remédio. O pior é que o médico já avisou que vai elevar essa dosagem, pois não está havendo a cura e o paciente tem confiança no médico e não pensa em mudá-lo. Se continuar assim, corre sério risco de espalhar em seu organismo novos problemas, que certamente serão combatidos com mais elevação da dosagem do mesmo remédio. Assim, o paciente corre o risco de vir a morrer.

A pergunta que fica é: Não dá para trocar de remédio uma vez que o outro (medidas macroprudenciais) já provou sua eficácia além de não causar os efeitos colaterais apontados? Dá, e isso precisa ser feito imediatamente rumando em prazo, o mais curto possível, para as taxas de juros a nível internacional e continuar aferindo os efeitos das medidas macroprudenciais, regulando sua posologia para que o apetite de consumo não tencione a inflação.

O consumo das famílias, que responde por 75% do consumo total, é fortemente influenciado pela oferta de crédito via taxas de juros e prazos de financiamentos. As medidas macroprudenciais, que podem influir o nível da oferta de crédito e suas taxas de juros, têm efeito imediato. As taxas Selic levam, segundo o BC e o mercado financeiro, cerca de nove (!) meses para produzir efeito. Em nove meses ninguém sabe o que estará ocorrendo no mundo e em nossa economia, pois o tempo é longo demais para previsões. Há pouco não se previa a revolta no mundo árabe e ninguém sabe onde isso vai dar, com repercussões nos preços do petróleo, em forte ascensão.

Outra questão que chama a atenção é o ciclo vicioso criado pelo BC: 1) mantém a Selic elevada para servir como âncora cambial; 2) com isso atrai capital externo para lucrar com essa taxa; 3) isso aprecia o real; 4) para segurar essa apreciação o BC compra dólares aumentando as reservas; 5) reservas maiores atraem mais capital externo, pois aumenta a garantia às aplicações externas. Ou seja, ele cria o problema e o agrava com sua “solução”.

Várias vezes o jornalista Celso Ming, em sua coluna no Estado, chamou a atenção que, quanto maiores as reservas internacionais mais atração exercerão para a entrada de capital externo.

Como resultado desse processo da ação do BC, eleva-se a dívida bruta do País, as despesas com juros do governo federal e o custo do carregamento das reservas. E tudo isso tem efeito imediato; não precisa de nove meses para repercutir numa improvável alteração da inflação.

Quanto à teoria das expectativas de que as alterações da Selic servem para conduzir os agentes econômicos a adequar seus preços conforme a meta de inflação, isso não ocorre, pois ao contrário dos outros países, onde essa teoria funciona razoavelmente, a distância entre a Selic e a taxa de juros dos bancos é tão grande, que permite variar as taxas dos bancos conforme outros interesses visando ampliar seu mercado na disputa com bancos mais agressivos em sua expansão, além das pessoas e empresas terem mais alternativas de escolha das melhores ofertas de financiamento.

A teoria das expectativas faz mais sentido para as medidas macroprudenciais, pois o seu efeito é imediato sobre o crédito, que é a perna principal da adequação do nível de consumo. As expectativas, no entanto, estão sendo mais influenciadas pela inflação corrente do que pela inflação projetada, sempre sujeita a toda sorte de erros. A inflação está sendo influenciada mais pela realidade internacional nos preços dos alimentos e commodities do que por qualquer outro fator e sobre isso pouco se pode fazer a não ser restringir o galope do crédito.

Para que possa ocorrer a mudança do remédio velho para o de nova geração, que já mostrou sua eficácia, é necessário que o BC, que já dispõe de autonomia operacional em relação ao governo e aos políticos, comece a exercê-la também em relação ao mercado financeiro, o qual adora uma Selic elevada, pois amplia sem riscos seus lucros.

Para isso é fundamental cortar a relação simbiótica que sempre existiu entre ambos. Isso agora tem melhor chance de ocorrer, uma vez que os membros que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom) são todos funcionários de carreira do próprio banco. Além disso, já passou da hora de usar o Boletim Focus baseado em cem instituições financeiras como fonte de consulta sobre projeção de inflação e da Selic. O BC precisa estender suas consultas à academia e às instituições que representam o setor real da economia se quiser ter maior credibilidade e possuir diagnósticos mais confiáveis e de melhor qualidade.

Já passou da hora de mudar de remédio.


*Publicado no jornal O Estado de São Paulo em 27 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

POLÍTICA MONETÁRIA E A INFLAÇÃO

Texto de "Amir Khair, Fevereiro de 2011"

"REMÉDIO EM EXCESSO MATA"

Os remédios têm em suas bulas a posologia, ou seja, as dosagens que podem ser tomadas para produzir o melhor efeito no combate ao problema de saúde. O médico, após o diagnóstico, tem que decidir qual o remédio ministrar e a posologia adequada ao tratamento.

O mesmo ocorre para a economia. Uma das doenças a ser tratada é a inflação e o remédio mais usado tem sido uma alta taxa básica de juros, a Selic. A partir do dia 06/dez um novo remédio foi usado pelo Banco Central (BC) visando conter "certos excessos do mercado de crédito". Ele impôs uma reserva maior de dinheiro pelos bancos quando concederem empréstimos para consumidores com prazo acima de dois anos. No caso de automóveis, essa reserva varia conforme a entrada que o comprador do veículo der. Além disso, o BC elevou o recolhimento compulsório dos bancos, tirando da economia cerca de R$ 65 bilhões.

Os efeitos deste remédio foram eficazes e imediatos, pois de acordo com o BC, até o final de janeiro, a taxa do crédito pessoal subiu de 40,3% para 49,4% ao ano, o prazo médio reduziu de cinco para quase três anos e a média diária das concessões de crédito pessoal caiu 19%! No caso dos veículos, a taxa do financiamento subiu cinco pontos nos bancos convencionais e quatro nos bancos de montadoras, o prazo médio recuou de três anos e meio para menos de três e a concessão de crédito caiu 45% nos bancos convencionais e 35% nos bancos das montadoras

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Guerra de divisas (Guerra cambial).

O texto de Wallerstein, por curto e superficial que seja, explicita uma preocupação latente de muitos analistas: o desconforto de quem tem reservas em dólar ou em títulos do governo americano é crescente, o déficit externo americano é dificilmente sustentável, a armadilha de quem acumulou reservas em dólar e se vê constrangido a sustentá-lo para evitar perdas maiores não garante nenhuma estabilidade. O cassino financeiro especulativo mundial e a ausência de um sistema equilibrado de moeda para trocas internacionais, que não dependa de um só país, se conjugam de maneira cada vez mais preocupante.
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Por Immanuel Wallerstein, Novembro de 2010

Las divisas son un problema económico muy particular. Porque las divisas son la verdadera relación donde unos ganan y otros pierden. Sean cuales sean los méritos de la revaluación o devaluación de una divisa particular, estos méritos son ganancias sólo si otros pierden. No puede todo mundo devaluar al mismo tiempo. Es imposible lógicamente y por tanto carece de sentido en lo político.
La situación mundial es bien conocida. Hemos estado viviendo en un mundo donde el dólar estadunidense ha sido la divisa mundial de reserva. Esto, por supuesto, le ha dado a Estados Unidos un privilegio que ningún otro país tiene. Puede imprimir su divisa a voluntad, siempre que piense que al hacerlo resuelve algún problema económico inmediato. Ningún otro país puede hacer esto; o más bien ningún otro país puede hacerlo sin penalización mientras el dólar se mantenga como la divisa de reserva aceptada.

Es también muy conocido que, por algún tiempo ya, el dólar ha estado perdiendo su valor en relación con otras divisas. Pese a las fluctuaciones continuas, la curva ha sido descendente tal vez durante 30 años por lo menos.

Los países del noreste de Asia –China, Corea y Japón– han emprendido políticas relativas a las divisas que otros países han criticado. De hecho éste es un asunto que es el objeto de una atención constante en los medios. Sin embargo, para ser justos, en este momento no es de ningún modo fácil establecer la política más sabia, aun desde la perspectiva egoísta de cada país.

Yo considero que el asunto subyacente es más simple que las enredadas explicaciones de la mayoría de los analistas de política. Comienzo con algunos cuantos supuestos. El estatus del dólar como divisa de reserva del sistema-mundo es la última ventaja importante con que cuenta Estados Unidos en el sistema-mundo de hoy. Es por tanto entendible que Estados Unidos hará lo que pueda para mantener esta ventaja. Para hacer eso, requiere de la voluntad de otros países (incluidos, notablemente, esos del noreste de Asia) no sólo para que usen el dólar como modo de calcular las transferencias sino como algo en lo cual invertir sus excedentes (particularmente en bonos del Tesoro estadunidense).

No obstante, la tasa de cambio del dólar ha ido deslizándose constante. Esto significa que tales excedentes invertidos en bonos del tesoro valen menos conforme pasa el tiempo. Llega un punto en que las ventajas de tal inversión (siendo la principal ventaja el sostener la capacidad de las empresas estadunidenses y los consumidores individuales para pagar por sus importaciones) serán menores que la pérdida del valor real de las inversiones en bonos del Tesoro. Ambas curvas se mueven en direcciones opuestas.

El problema es uno que está presente en cualquier situación de mercado. Si el valor de unas acciones está cayendo, los dueños querrán deshacerse de ellas antes de que caigan muy bajo. Pero si un accionista grande se deshace de ellas muy rápido, esto puede impeler a que otros corran a vender, lo que ocasiona pérdidas aún mayores. El juego es siempre encontrar un momento elusivo para deshacerse de las acciones, uno que no sea ni demasiado tarde ni demasiado pronto, ni demasiado lento, ni demasiado aprisa. Esto requiere un sentido perfecto del tiempo, y la busca de esta sincronía perfecta es el tipo de juicio que con frecuencia se tuerce.

Esto es lo que veo como retrato básico de lo que está ocurriendo y ocurrirá con el dólar estadunidense. No puede continuar manteniendo el grado de confianza mundial de que alguna vez gozó. Tarde o temprano, la realidad económica se le empatará. Esto puede ocurrir en una conmoción de cinco minutos o en un proceso mucho más lento. Pero cuando ocurra, la pregunta clave es ¿qué ocurrirá entonces?

No hay hoy otra divisa que tenga el equilibrio necesario para remplazar al dólar como divisa de reserva. Siendo ese el caso, cuando el dólar caiga, no habrá divisa de reserva. Estaremos en un mundo multipolar de divisas. Y un mundo multipolar de divisas es un mundo muy caótico, en el cual nadie se siente a gusto porque los constantes virajes repentinos de las tasas de cambio hacen muy precarias las mínimamente racionales predicciones económicas de corto plazo.

El director administrativo del Fondo Monetario Internacional, Dominique Strauss-Kahn, en este momento advierte públicamente que el mundo se está hundiendo en una guerra de divisas, cuyo resultado “podría tener un impacto negativo y muy dañino en el más largo plazo”.

Una posibilidad real es que el mundo pueda revertir, a mí me parece que ya lo está haciendo, a acuerdos de trueque de facto, una situación que no es en realidad compatible con el funcionamiento efectivo de la economía-mundo capitalista.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Privatizações: Politica para o Desenvolvimento Econômico?

Publicado em 07/11/06 – Folha da Cidade/Araraquara (modelo original)
Artigo revisado em 21/10/10

Estamos em um momento eleitoral em que as discussões partidárias debatem insistentemente as causas e os efeitos das privatizações; de um lado os que as defendem como premissa básica para o crescimento econômico e de outro lado os que as colocam em discussão sobre suas dimensões reais de atuação em prol do crescimento e desenvolvimento econômico. Antes de prosseguirmos, faz-se necessário lembrar que o crescimento econômico é a principal dimensão para o desenvolvimento econômico “sustentável”, mas não representa, isoladamente, a fonte para um desenvolvimento sustentável, pois existem outras dimensões como o social, ecológica, política, tecnológica entre outras variáveis que compõem o processo, sustentando o crescimento de forma coordenada e equilibrada.
É fato que as privatizações geram, em um certo nível, novos campos de empregos. Entretanto, o que devemos questionar são as contrapartidas que os efeitos das privatizações geram ao sistema econômico brasileiro, ou seja, quais os seus efeitos às outras dimensões do sistema, como o ecológico, social e o tecnológico entre outros. Devemos compreender e identificar as características e potencialidades nacionais e locais dos setores que possam ser ou que já foram objetos de privatizações, pois a própria dinâmica do setor e da empresa, condiciona diferentes efeitos para o desenvolvimento econômico, isto é, existem questionamentos que devem ser feitos em função das características mercadológicas e estratégicas de cada setor em questão. Portanto, o que pode ser interessante para um setor, pode não ser para o outro. Sendo assim, devemos levar em consideração as questões dos benefícios reais gerados (a gerar) para a sociedade e para a economia do país e não, apenas, os benefícios gerados aos investidores, normalmente, estrangeiros.
Devemos questionar as privatizações, olhando à luz da própria condição de nosso país, pois, atitudes quanto às privatizações em países mais desenvolvidos, possuem causas e efeitos distintos à nossa; é preciso considerar que quando transferimos toda uma estrutura estratégica nacional e todo o conhecimento acumulado aos interesses privados, ficamos sujeitos às ações e objetivos estratégicos empresariais (normalmente estrangeiros) dentro de um contexto meramente competitivo. A situação é prevista, pois o mercado passa a dar as cartas sem a devida regulação do Estado. O que precisamos caracterizar dentro desse processo são as políticas de apoio e de regulamentação das ações industriais para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos nacional que norteia um determinado setor. Uma vez privatizada, a orientação de mercado tem sua lógica voltada ao mercantilismo propriamente dito, o que invariavelmente, em função das próprias condições das cadeias produtivas nacionais em competir com as estruturas tecnológicas e inovativas estrangeiras, essas cadeias acabam se fragilizando e sendo substituídas por empresas estrangeiras, comprometendo a base produtiva nacional.
Devemos nos perguntar, pensando em desenvolvimento econômico, quais os efeitos benéficos reais e não paliativos em se privatizar no Brasil? Temos políticas públicas (sociais, ecológicas, tecnológicas, econômicas...) eficientes que possam regular e monitorar as transformações oriundas das privatizações? Quais os efeitos para as cadeias de fornecedores nacionais e para o desenvolvimento de competências ligadas a inovação? Transfere - se nossa capacidade industrial a grupos privados e o governo Estadual ou Federal acaba arrecadando, diminuindo o seu déficit primário, a partir dessas vendas; mas o que realmente, como efeito dessas ações, se retorna a sociedade brasileira a título de desenvolvimento, melhorias e expectativas? A título de exemplo - privatizaram o Banespa, e a questão das demissões foram consideradas? Será que a instituição financeira realmente estava com sua saúde financeira abalada, como noticiaram? Um banco desse porte, no Brasil e na época, seria capaz de quebrar mesmo? Não havia como o Estado fortalecê-lo? Ou estávamos com um déficit fiscal Estadual enorme e a venda foi única saída encontrada em caráter emergencial? Precisamos pensar sobre os vários contextos.
Não há uma intenção em criticar destrutivamente os processos de privatizações, e sim em questionar os seus efeitos a partir de um pensamento muito mais amplo no que tange a essência do desenvolvimento sustentável em um país em que as políticas públicas, responsáveis pela regulamentação e sedimentação de bases para o desenvolvimento, se comportam de maneira unilateral e desestruturada, por razões de interesse muito mais privado. Em verdade, privatizar pode até ter um efeito benéfico à sociedade e ao desenvolvimento, mas depende do cenário em que o setor está inserido e da articulação de todo um conjunto de atores pertencentes ao sistema.
Não podemos esquecer da Petrobrás e do Pré-Sal, objetos de discussões por todo o pais. Precisamos nos atentar para o fato de que se trata de um recurso estratégico para o país. Vendê-lo totalmente ou em partes, seria como entregar uma mina de ouro para que alguém determinasse as condições de sua exploração e comercialização. Outro fator é que a Petrobrás é a 2º maior petrolífera do mundo e com tecnologia de ponta; não há riscos quanto a sua capacidade industrial e financeira. O que existe é um imenso potencial de exploração e expectativas reais de ganhos financeiros.
Entendo que a formação de um consórcio com parcerias formadas no que tange a exploração do recurso é viável para garantir agilidade e qualidade ao processo, porém, toda essa rede de parceiros deverá estar sob controle rigoroso da Petrobrás/Governo Federal. A controladora deverá ser a Empresa Estatal, como de fato será. Determinadas atividades periféricas ou mesmo conjunta com as atividades de exploração devem ser delegadas a uma rede de parceiros, isso representa uma prática comum nos modelos de gestão de grandes cadeias produtivas, sobretudo, aquelas de intenso conteúdo tecnológico, como é o caso em questão. Tal prática, não representará a Privatização da Petrobrás (ou do Pré-Sal), única controladora do sistema de produção, como está sendo divulgado. O Controle continuará sendo da Empresa Estatal, porém, com parceiros de risco e demais investimentos externos e internos que possam fortificar e efetivar os resultados operacionais.
A partir da análise do tema e as vertentes criadas, concluo que é imprudente e superficial enfatizar que as privatizações representam uma garantia para o desenvolvimento econômico de um país. Poderá ser dentro de um contexto complementar (apoio), porém, depende da estrutura política, econômica e social da base reguladora da nação, do setor/recurso a ser privatizado e, sobretudo, do real objetivo público que, efetivamente, está permeando todo um processo de privatização.

Fernando Bueno, Administrador, Professor do ensino superior, Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, Especialista em Políticas Públicas Tecnológicas.

sábado, 9 de outubro de 2010

Os desafios da economia brasileira

Artigo elaborado por Amir Khair, 12 de setembro de 2010.
Publicado no jornal o Estado de São Paulo.

O Brasil experimentou significativo avanço nos fundamentos macroeconômicos nos últimos anos. As previsões para este ano apontam para um crescimento econômico próximo a 8% com inflação tendendo a 4,5%, independentemente da equivocada elevação da Selic a partir de abril. As reservas internacionais superam US$ 260 bilhões e são maiores que a dívida externa do País. Destoa, no entanto, o déficit nas contas externas que poderá atingir US$ 50 bilhões.
Para o próximo governo os desafios na área macroeconômica serão maiores: manter crescimentos superiores a 5%, inflação abaixo de 4,5% e equilíbrio nas contas internas e externas.
Este artigo apresenta como contribuição ao debate, comentários e sugestões para atingir esses objetivos.

Pano de fundo:
O cenário externo deve permanecer hostil. A estagnação ou baixo crescimento econômico dos Estados Unidos, Europa e Japão (EEJ), responsáveis pela maior parte do consumo mundial, deverá restringir suas importações com medidas crescentes de protecionismo e pressionar para ampliar suas exportações, para ativar a expansão da produção e reduzir os altos índices de desemprego.
O leste asiático, especialmente a China deverá reduzir o ritmo de crescimento e elevar sua penetração nos mercados emergentes como compensação à redução do ritmo de expansão das suas exportações para os países do EEJ. A disputa no mercado externo será maior do que hoje e os preços internacionais deverão ficar contidos ou cair. As dificuldades para exportar serão maiores.
A liquidez internacional tenderá a se manter elevada e os juros contidos, com direcionamento maior dos investimentos para os países com maiores perspectivas de crescimento.
Acordos comerciais com os países do EEJ dificilmente poderão ocorrer e a OMC pouco contribuirá para reduzir o processo protecionista desses países.
Esse é o pano de fundo que deverá influenciar as decisões de política e de comércio externo. Nesse sentido creio que é melhor continuar a ampliar a participação comercial e ação diplomática na direção dos países emergentes e fortalecer o mercado interno.
Crescimento:
É possível continuar com crescimentos superiores a 5% ao ano desde que mantidos os estímulos à elevação do consumo, face ao potencial não explorado. Os investimentos seguem as perspectivas de consumo e as empresas captam com antecedência os movimentos e tendências de consumo e tem espaço para ocupar o que lhes foi subtraído pelos produtos importados.
Assim, deverá ter continuidade o crescimento dos investimentos acima da produção e esta acima do crescimento do consumo. O governo pode contribuir nessa direção de duas formas: a) reduzir as taxas de juros da economia e; b) ampliar as políticas de transferências de renda, como as elevações do salário mínimo e do programa Bolsa Família. É a política de crescer de baixo para cima, que caracterizou este governo com a expansão das classes D e E rumo à classe C e esta para B. A classe A cresce na esteira deste processo. É o caminho natural para aproveitar o elevado potencial de consumo existente. É um círculo virtuoso onde as empresas seguem o aumento do consumo, ampliando a produção, venda e lucro, fonte principal da poupança para os investimentos.

Inflação:
Dificilmente assistiremos processos inflacionários no mundo. A razão está no pano de fundo descrito. A disputa pelos mercados tenderá a crescer, com maior oferta do que demanda. É difícil, no entanto, prever o comportamento do câmbio. A tendência no País talvez seja de estabilização, devido a duas forças antagônicas: a tendência estrutural de desvalorização do dólar perante outras moedas e commodities e os déficits nas nossas contas externas.
Os Estados Unidos deverão tender a reduzir seus déficits externos e, para isso, continuar a desvalorização do dólar. Não está excluída a possibilidade de novas elevações da liquidez nos países do EEJ para reduzir riscos de duplo colapso. Por outro lado, o Brasil deverá ter perdas nas contas externas o que induzirá a desvalorização do real face a outras moedas.
Desde 2004 até este ano a média anual foi de crescimento econômico de 4,5% e inflação de 5,0%. É um avanço sobre o ocorrido de 1995 a 2003, quando essas médias foram respectivamente de 2,2% e 9,1%. De lá para cá os preços dos produtos importados subiram 30%. Isso poderia indicar elevação da inflação, que não ocorreu.
No auge do crescimento econômico mundial, registrado no terceiro trimestre de 2008, véspera do impacto da crise, os preços dos produtos importados pelo País se encontravam no seu nível histórico máximo de 142 (referência: 2006 = 100). A partir daí despencaram para 114 em maio de 2009 e com ligeiras oscilações estabilizaram em 120, com queda de 16% desde o início da crise. Diante disso, creio que será possível reduzir a meta de inflação para 4% nos próximos anos, com Selic tendendo ao nível internacional.

Contas internas:

A evolução ocorrida desde 2002 nos dois principais indicadores das contas internas foi favorável. Em 2002 o déficit fiscal foi 9,6% do PIB. A partir de 2003 oscilou entre 2% e 4% e neste ano a previsão é entre 2% e 3%. A dívida líquida do setor público estava em 52,2% do PIB no final de 2002, indo até 60,6% ao final de 2003. No final de 2009 estava em 38,4% e as previsões para este ano apontam para 40%.
Caso o PIB cresça 5% ao ano e a taxa média de juros de 10% neste ano caia um ponto percentual por ano, basta um superávit primário de 1,8% para em 2014 a dívida líquida cair para 30% do PIB e obter o desejado equilíbrio fiscal. Nessas condições as despesas com juros cairiam dos atuais 5,4% do PIB para 1,8% do PIB em 2014. É uma economia de 3,6% do PIB (5,4 menos 1,8), que poderá permitir a redução da carga tributária e/ou ampliar programas na área social e de investimentos em infraestrutura.

Contas externas:

Deverá ser o nosso calcanhar de Aquiles nos próximos anos.
A estratégia de estímulo ao consumo como mola mestra para o crescimento exige o aumento das importações, enquanto as empresas não conseguirem elevar sua produção para atender o maior patamar de consumo.
Para agravar esse quadro a política cambial não está impedindo a apreciação do real face às demais moedas, o que dificulta as exportações e facilita as importações.
Assim, as contas externas ficaram deficitárias desde 2008. Em 2009 o déficit foi coberto pelo investimento estrangeiro direto (IED). Neste ano, além do IED serão necessários os investimentos em carteira (ações e títulos públicos) de estrangeiros, que têm caráter especulativo. Isso gera preocupação e exige modificações urgentes para reverter isso. Entre elas destaco:
- Para melhorar a balança comercial é necessário depreciar o real e a primeira medida é posicionar a Selic ao nível internacional para reduzir/eliminar operações de arbitragem. Contribui, também, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras e o estabelecimento de um prazo mínimo de permanência dos investimentos em carteira.
- É mais fácil reduzir importações do que elevar exportações face ao restritivo cenário externo. Para isso, devem ser majoradas alíquotas de importação e/ou quotas para produtos com características de dumping e agir com reciprocidade de tratamento a países que imponham barreiras à exportação de nossos produtos.
- A remoção gradual dos gargalos de logística e de infraestrutura, melhora nossa posição competitiva e para isso deve-se dar continuidade ao PAC, fortalecendo-o.
- Independentemente da ação governamental estão ocorrendo investimentos por grandes empresas no setor portuário, ferroviário e de armazenagem para acompanhar o avanço da demanda e evitar que os gargalos comprometam suas rentabilidades.
- Aproveitando o crescimento expressivo da arrecadação nos próximos anos, o governo federal deveria acelerar a devolução aos exportadores dos créditos tributários estimados em R$ 10 bilhões.
Essas são algumas mudanças de caráter mais imediato. No longo prazo, o cenário é favorável. O País tem posição estratégica no confronto internacional nas commodities e alimentos, que serão demandados em escala crescente acompanhando o contingente de novos consumidores das economias emergentes.
Segundo a Agência para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), o Brasil terá o mais rápido crescimento da produção agrícola no mundo nos próximos dez anos. Além disso, possui reservas aqüíferas, subsolo privilegiado e energia em abundância e de boa qualidade ambiental. Esses insumos permitem custos de produção altamente competitivos e agregação de valor com a incorporação de tecnologias disponíveis.
Em síntese, embora as contas externas estejam deficitárias não faltam instrumentos para em médio prazo reverter esse quadro. No longo prazo as perspectivas são amplamente favoráveis para a retomada dos superávits externos.São muitos os desafios e não faltam avaliações e propostas para enfrentá-los. O que importa é que o próximo governo consiga avançar mais do que já foi feito.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

LULA, O ETERNO E FANTÁSTICO "ANALFABETO"

O TEXTO ABAIXO É DE AUTORIA DO PROF. PEDRO LIMA
Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de
miseráveis e pobres à condição de consumidores;
e que também não entende de economia, pagou as contas de FHC,
credibilizou o país junto ao FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais
escolas e universidades que seus antecessores juntos [14
universidades públicas e estendeu mais de 40 campi] e ainda criou o
PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de
bolsas para pobres em escolas particulares].

Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas,
elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de
janeiro de 2010] e não quebrou a previdência como queria FHC.

Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da
nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo.
Embora o PIG - Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.

Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de
nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país
à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de
energia alternativa ao petróleo do planeta].

Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas
mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes,
passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].

Lula, que não entende de política externa nem de
conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a
ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos
da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista.
Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc.
Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.

Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o
primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no
cargo de primeira ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de
Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é
hora de o Estado investir; hoje o PAC é um amortecedor da crise.

Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a
indústria automobilística a bater recorde no trimestre
[como também na linha branca de eletrodomésticos].

Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem
fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as
pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo
para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].

Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um
brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush -
notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com
Barack Obama.

Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um
agitador... é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO -
American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central de
trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...] e entra
na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio
Sam lá, nos "States".

Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar
um mapa é autor da maior mudança geopolítica das Américas na
história.

Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois
nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se
torna interlocutor universal.

Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um
locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande
legado, dentro e fora do Brasil.

Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra,
pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para
dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada;..
é bem melhor que todos os outros...!

Pedro Lima *
Economista e professor de economia da UFRJ

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Educação e Sustentabilidade

Mecanismos para o Desenvolvimento Sustentável:

O desenvolvimento sustentável é o tema do momento, os discursos “estrelados” sobre este assunto no meio acadêmico e político se evidencia quando a intenção é ganhar notoriedade pública. Como se fosse algo simples de efetivar-se. Temos que deixar a ingenuidade de lado e compreender que a concepção, por parte de uma nação/sociedade, quanto às condições para que se construa um desenvolvimento sustentável é totalmente endógena, ou seja, a integração dos vários atores que compõem as bases políticas e sócio-econômicas de uma nação ou mesmo de uma região são as ferramentas e os insumos necessários para a constituição de uma base sedimentada que possa suportar as transformações que o mundo globalizado insere em nosso ambiente.
Podemos caracterizar as políticas públicas como a grande norteadora e reguladora do sistema nacional ou local e quando aplicada segundo os padrões de interesse público e não individual, contribuem substancialmente para a formação das bases nacionais e consequentemente locais/regionais para a sustentação do sistema complexo. Podemos comentar sobre a articulação das redes de empresas que compõem as cadeias de suprimentos de setores de alta densidade tecnológica; podemos enfatizar a importância da conscientização da sociedade, da própria conscientização do poder público e sociedade empresarial sobre os efeitos de suas produções ao meio ambiente (ecológico, social e cultural..); podemos mencionar a importância dos centros de pesquisas e desenvolvimento para a inserção de novas tecnologias, dos aspectos relacionados a valorização do ser humano antes da valorização do capital, enfim.....são vários os aspectos que compõem um cenário altamente complexo de total interdependência entre os vários atores e que deve ser concebido na estrutura do planejamento político-econômico de um sistema.

Educação - força propulsora para o Desenvolvimento Sustentável:

A partir de uma análise introdutória e sintética sobre os mecanismos para o desenvolvimento sustentável, perguntemos: Por onde começar?
Algo complexo, oriundo de raízes estruturais políticas, mas que pode no longo prazo ser implantado e concebido na matriz do planejamento. Trata-se de uma questão estratégica que visa definir um estado futuro de uma nação e as ações a se tomar.
A estratégia a ser usada, diante do contexto, são as ações dirigidas à educação, somente assim, com paciência e muito comprometimento com a área educacional desde a base do fundamental até a formação superior é que poderemos formar e direcionar posturas dignas que possam, em todos os aspectos citados na primeira parte, atuar em uma função de complementaridade no sentido de se constituir um novo cenário para o desenvolvimento de uma nação. A educação gera conhecimento e consciência, forma opiniões, orienta as boas ações e a intelectualidade de uma sociedade em qualquer espaço geográfico. Portanto, deve ser vista como uma forma de combustível renovável que movimenta o motor de qualquer sistema.
O Remédio existe, porém usá-lo adequadamente conforme o receituário depende dos objetivos reais do poder público/privado. Qualquer mudança em um determinado sistema gera resistências que em um primeiro momento são indigestas, mas temos que conceber e incorporar tal ideologia no sentido de viabilizarmos a proposta. O corpo discente, docente e os gestores educacionais do setor público e privado ainda possuem olhares equivocados no que tange a absorção de determinados mecanismos que visam à qualidade do serviço como a essência dos objetivos educacionais. Convém lembrá-los que as vantagens competitivas perenes e não temporárias das instituições de ensino, seja em qualquer nível, dependem, sobretudo, da qualidade e do comprometimento de seus agentes. Esse cenário será, sem dúvida, confirmado pelo tempo. A educação é a base endógena para o tão dito Desenvolvimento Sustentável e deve ser vista como o principal mecanismo/insumo para a formação de “pessoas”. Não deve ser vista apenas como um segmento de ganho monetário de um setor individualizado. Lembremos: educação, acima de tudo, é responsabilidade sócio-econômica.

Publicação: 22/11/2006 - Jornal Tribuna de Araraquara, n. 6358.
Fernando Bueno, Mestre em Desenvolvimento Regional, administrador de empresas, consultor, escritor e professor do ensino superior. E-mail: prof_fernandobueno@ig.com.br


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Responsabilidade social corporativa: uma análise crítica

Penso que a responsabilidade social é realmente uma grande oportunidade de negócios, não seria? Seria um nicho de mercado para o mundo capitalista? Precisamos pensar um pouco em cima de todo esse contexto social tão desejado e tão bem explorado.
O cenário me parece claro. Enquanto o Estado social e ambiental permite, por razões estruturais e hora por razões conjunturais, um deslocamento de suas responsabilidades para as mãos do poder privado, estará possibilitando, ainda que indiretamente e muitas vezes por não ter alternativa, a exploração do poder privado dessa importante dimensão do desenvolvimento: o social. Partindo da premissa que a responsabilidade social é fazer o bem sem contrapartida financeira direta e mais, significa a capacidade em dar respostas aos diversos problemas sociais, deixo uma questão no ar: será que o poder privado possui enraizado em seu DNA corporativo a essência da responsabilidade social? Será que uma empresa exercerá a tal responsabilidade social sem que haja, efetivamente, um retorno de cunho financeiro? Claro que não ou você acredita em papai Noel? Sem um resultado mensurável do ponto de vista financeiro, como aumento da participação de mercado, melhoria da imagem corporativa perante a sociedade e a mídia ou mesmo a partir de uma lucratividade de curto prazo, quase nenhuma corporação se interessaria pelas questões sociais, infelizmente. 90% daquilo que vemos é marketing social puro.
Onde está a essência da responsabilidade social? Certamente, sempre haverá uma relação custo-benefício envolvida. A questão é definir com ética e responsabilidade o que é responsabilidade e o que é marketing social. Seguramente, os dois podem e devem, no meio corporativo, caminhar juntos, porém, com base nos princípios éticos e morais que regem a responsabilidade social. Não há mal algum em divulgar tais ações sociais no intuíto de evidenciar uma imagem responsável e conscientizar/atender a sociedade. Entretanto, quando tais ações efetivas são insuficientes perante os grandes investimentos em marketing - entende-se ferramentas promocionais - devemos questionar a ética e a moral de tais corporações.
Responsabilidade social não é marketing. Este é o principio que devemos entender antes de concebermos os planos sociais corporativos.