segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Avaliação de Projetos de Investimentos: conteúdo



Caros alunos e demais interessados 

Acesse o link e tenha acesso ao conteúdo completo de "avaliação de projetos de investimentos", Pertinente aos cursos de MBA em finanças e contralodoria.



Prof. Fernando Bueno, Msc


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Texto argumentativo (artigo acadêmico)

Caros leitores,

Abaixo, segue um roteiro de entrevista para publicação, para quem se interessar!


Seguem as questões referente a entrevista: (Cristh Lopes)
- Você acredita que o mundo está diante de uma revolução industrial 4.0?
- A digitalização substitui o trabalho humano ou otimiza sua produção?
- Como conciliar a demanda por novas tecnologias à crise econômica?
- Há espaço para inovação no mercado? De que forma a criatividade é afetada nesta nova etapa?

Durante uma palestra, o CEO da Siemens no Brasil Paulo Stark disse:
(...) permite a evolução do ser humano. [Ele] deixa o trabalho manual e começa a fazer [uma produção] intelectual. 
(...) deixará de ser um funcionário e passará a ser um colaborador. 

- Não seria, portanto, a noção de trabalho de Marx - fazer e pensar - colocada em prática?

- Quais as características do profissional do futuro? 

Texto argumentativo do prof. Fernando Bueno:

Sim, certamente o mundo está sendo bombardeado por uma revolução tecnológica e de informação. Digo que isso representa a evolução competitiva que está alinhada com um novo padrão de demanda, mais restrito, exigente, específico e buscando alternativas de consumo que sejam igualmente qualitativas e com preços mais acessíveis. É uma tendência natural proveniente dos avanços tecnológicos, sempre em busca de fatores competitivos, digo diferenciação e inovação de produtos e otimização de processos, sobretudo, relacionados a custos de produção. Lembre-se que o mundo hoje está em retração econômica, o nosso pais aponta para isso também, ou seja, mais dificuldade para vender e encontrar seu público alvo. Isso é condicionante para a revolução tecnológica. Um cenário de muito conforto comercial não estimula os avanços tecnológicos. É necessário um ambiente em franca mutação, apresentando dificuldades socioeconômicas e norteado por uma camada de outros agentes competidores para que as alternativas e soluções comerciais e produtivas sejam apresentadas.
Em suma, o caos socioeconômico / ambiental (no caso, a crise que se apresenta - econômica, hídrica, energia......) é a oportunidade (combustível) para a geração de novas ideias e alternativas de natureza tecnológica. O ser humano só tem a capacidade de mudar quando o problema bate à sua porta e entra sem pedir licença. Nós reagimos as situações, não somos capazes, por hora, de antecipar os problemas com soluções que poderiam resolver ou amenizar tais situações. A sociedade empresarial caminha na mesma direção....de forma mais pulverizada, seguindo os padrões capitalistas.
 E a mão-de-obra, como fica nesse ambiente de mutação tecnológica? Esse é um tema amplo que exige alguns parâmetros e relações pontuais.
Em suma, está ocorrendo uma mudança quanto a forma e a necessidade da MO, isto é fato. Analisando pelo campo empírico da questão, para não dizer platônico, direi que representa uma mudança no padrão da MO. Estamos deixando de ser uma sociedade com perfil de trabalho manual para ser mais pensante. É o retrato de um cenário movido pela revolução 4.0. EX: menos caixas físicos nos bancos e mais caixas eletrônicos. Conclusão técnica: o banco emprega menos trabalhador manual, mas em contrapartida, quantos funcionários são necessários para manter uma rede de dados em pleno funcionamento e com segurança?
Certamente, muitos é claro...e com mudança no perfil de trabalho. Isso é valido no centro urbano, mas ainda assim é um desafio para nós, brasileiros. E no campo? Uma máquina de colheita, substitui quantos trabalhadores rurais? A dimensão da solução e também do problema é outra, com certeza. Eu quero dizer que essa questão da mudança de perfil da MO deve ser vista de forma diferente quando analisada sob os aspectos geográficos (territoriais) e econômicos de cada região, pais, distrito enfim....
O que representa uma mudança de perfil de MO na Alemanha? Há um suporte para uma readequação dessa MO para outras atividades? Pense e conclua!!!
E aqui no Brasil, como se dá essa mudança dada essas diferenças estruturais que acometem nossa região? Não precisamos ir longe...pense em SP e no interior da Bahia? Dentro de um mesmo país, vemos cenários completamente distintos. Como será realocar uma sociedade com esse nível de déficit educacional para novas atividades? Com essa política de desenvolvimento? Mesmo em SP, presenciei situações em que grandes corporações não conseguiam encontrar MO qualificada para determinadas funções mais estratégicas e pensantes...isso reafirma a lógica de que há uma mudança do perfil da MO, mas os desafios em nosso pais são enormes para que isso se materialize em bem-estar e evolução social. Damos muito valor a quantidade e pouco na qualidade. Aquele que caminha à margem disso, certamente, terá êxito em suas perspectivas.
O que é Inovar??? Significa desenvolver novos (inéditos) produtos e/ou processos ou alterar significativamente as funções iniciais em resposta a uma necessidade e desejo mercadológico (essa necessidade pode ser reativa ou por antecipação). Importante: somente se configura inovação, quando o mercado compra (absorve) o produto, objeto da inovação, caso contrário, configura-se apenas como invenção. O mercado determina se é ou não inovação...é a força do capital. Uma sociedade inventora apenas, sem materialização de resultados reais, não traz benefícios capitalistas.....Destaco os principais tipos de inovações existentes, são eles; produtos, processos, organizacional e serviços.
Para qualquer modelo inovativo, a criatividade é a percursora. A criatividade é um dom que passa por condições e preparo educacional para que se alinhe as necessidades reais de uma demanda. Respondendo a sua pergunta: Há espaço para a inovação neste mercado? Sim...sem dúvida, como eu disse, somente sobreviverão em épocas de readequação econômica aqueles que saírem de sua zona de conforto e buscarem novas alternativas para atrair seus consumidores. Entretanto, a criação faz parte de um projeto de alinhamento entre as habilidades técnicas e humanas desenvolvidas e o DOM de cada um em criar. Estamos diante de um contexto em que temos muitos criadores por vocação, mas pouca estrutura para transformar criações em realidades funcionais. Eu digo, temos invenções, mas temos desafios enormes para transformar em inovações no campo de produtos e processos. Já no campo onde a criatividade ocupa um espaço um pouco maior em relação ao capital / estrutura (dependência menor), temos bons resultados, como nos casos do Marketing e Serviços. Afirmo que somos uma sociedade criativa, empreendedora mas que nossa estrutura geral não colabora nesse sentido.    
Penso que depois do exposto, as afirmações do CEO da Siemens possam ser discutidas com mais base real e menos discurso político e para mídia.
Quais as características do profissional do futuro? Depende!! Na Alemanha, nos EUA, Na Grécia, No Brasil.....Em Sergipe ou salvador...em SP??  Os cenários e as estruturas políticas, econômica, social, tecnológica determinam (ou influenciam) isso. E a regionalização das necessidades e estruturas que condicionam o profissional. Alguns elementos são agregadores, seja qual for a estrutura: Criatividade, iniciativa, percepção e adaptabilidade e, sobretudo, extrema capacidade de assumir funções – polivalência funcional.

Salvador, 15/10/2015

Prof. Me. Fernando Bueno
Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, foco em políticas públicas e tecnológicas
MBA em Finanças
Graduado em Administração de empresas
Consultor empresarial e professor de pós-graduação (FATEC, UNIP, USF, UNIFACs-BA e etc)
Palestrante e escritor 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Cursos de Extensão em Gestão & Negócios

Caros alunos e demais interessados,


Em parceria com a UNOPAR - Polo ACM (Salvador), estou desenvolvendo um plano de vários cursos de extensão que versará sobre várias temáticas com uma proposta singular, dinâmica e funcional. 

O primeiro curso, com duração de 12 horas total, será sobre o Tema: 

"Endomarketing e Gestão do Cliente Interno" 

Datas: 30/10/2015 das 18:00 às 20:00 hs e
31/10 das 09:00 às 13:00 hs
Local: Auditório da UNOPAR - Polo ACM, Salvador
Inscrições na secretária da unidade
Valor: R$ 59,90
 Inclui Certificado 

Esperamos a adesão total de nossos alunos! 






Atenciosamente,

Prof. Me. Fernando Bueno

terça-feira, 23 de junho de 2015

Tijolos Ecológicos: Processo de produção

Caros amigos:

Para quem se preocupa com o meio ambiente, ou seja, com os processos que geram impactos negativos em nosso meio socioambiental e econômico, apresento um vídeo muito interessante sobre processos sustentáveis que geram retorno financeiro, porém, sem sobrecarregar o meio ambiente e os recursos necessários para tal fim. Tudo isso com garantia de qualidade e preço competitivo. 

A construção criando alternativas....basta o empresário apoiar as iniciativas!

 Click no link abaixo!

Abraço,

Prof. Fernando Bueno


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sustentabilidade: Telhas ecológicas

Caros amigos e colaboradores, 

O vídeo abaixo mostra o processo, em linhas gerais, da fabricação de telhas a partir das embalagens tetra pack. É fantástico como a inovação pró-sustentabilidade pode levar a novos conceitos produtivos. A empresa Tetra Pack, fabricante das embalagens, movida por um novo conceito reverso e de reciclagem e por meio de um modelo inovativo, criou este processo e com a ajuda de parceiros, gerou mais uma atividade econômica produzindo emprego, renda e ainda tira do meio material considerado lixo ambiental. 

Resultado - o meio ambiente e a sociedade agradecem!!!

Acessem o link abaixo e opinem acerca desse tema!!     





Att.

Prof. Me. Fernando Bueno

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Livro "Inovação & Cadeias Globais de Produção"

Amigos,

É com imensa satisfação que informo a todos o lançamento de minha segunda obra intitulada "Inovação & Cadeias Globais de Produção". A obra permeia todo um contexto que envolveu um vasto trabalho de campo acerca de temas pertinentes a economia industrial brasileira e as articulações e estratégias de internacionalização da produção a partir de um olhar realista e funcional. Tudo isso tendo como base a nossa estrutura econômico-industrial em interface com os modelos globais de produção.

Clique no Link abaixo do logo para aquisições....em breve, estará também disponível na Livraria Cultura e no Site da Amazon.  




Um Fraternal abraço! 

Prof. Fernando Bueno

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Atividade de endomarketing - UNIP



Diante de um contexto orientado pela gestão inovativa de serviços e sua máxima interdependência com os níveis e qualidade de relacionamentos gerados, subsidiando assim os elementos que geram resultados expressivos para empresa, faça uma pesquisa e reflita sobre quais os tipos de situações mais prováveis de exigência das práticas de endomarketing; aproveite a oportunidade e determine uma relação técnica (proposta) de atividades associadas ao endomarketing.
 

Caro aluno, 

A partir do seu entendimento acerca do tema, desenvolva um texto "objetivo e argumentativo".

Prazo para as postagens: de 14/04 à 18/04/14.

Obs:
Postagens após a data de encerramento não serão consideradas para avaliação. 




terça-feira, 28 de maio de 2013

Fórum de Sustentabilidade Organizacional

Pequena empresa começa a se preocupar com a sustentabilidade

As ações pela sustentabilidade, ainda em doses homeopáticas, começam a extrapolar as fronteiras das grandes empresas e ganham espaço entre os pequenos empreendedores. Motivados pela oportunidade d esse diferenciar no mercado e ganhar em vantagem competitiva, muitos estão adotando medidas que visam amenizar determinados impactos negativos à natureza  e a sociedade em si. Pesquisa do SEBRAE aponta que 46% das pequenas encaram a questão como possível fonte de ganho e outros 16% como custo. O restante não se pronunciou a respeito. Seguramente, vemos de forma isolada ações de alto valor agregado, mas insuficiente quando avaliamos o nível de importância da dimensão dentro do sistema socioeconômico.

Fonte: Folha se SP – 26/05/12
Adaptado por: Fernando Bueno
     

Tema do Fórum

“O desafio para o segmento em sair das ações isoladas voltadas para um resultado econômico de curto prazo para um planejamento global voltado para a sustentabilidade”


Argumente sobre o tema a partir do seu entendimento!


Informações:

Fórum organizado, exclusivamente, para os alunos do curso de Especialização em Engenharia do Meio Ambiente e Sustentabilidade da FMU.


Prazo para as postagens dos comentários avaliativos: 31/05 à 07/06/13
Colocar nome completo e Curso 

PRAZO ENCERRADO PARA AS POSTAGENS AVALIATIVAS
10/06/13 



sábado, 27 de abril de 2013

Fórum de Economia - Diálogos Capitais

CartaCapital



Caros amigos e Colaboradores,

Informo aos interessados que participarei do Fórum de Economia "Dialogos Capitais" promovido pela Revista "CartaCapital" com o objetivo de absorver e debater um conteúdo que versará sobre o tema    Competitividade Industrial e o cenário de fomento à capacidade de competição das indústrias nacionais.  
Em breve, discutiremos o assunto nos fóruns virtuais abertos neste canal e para os meus alunos de MBA´s, certamente, abordaremos o tema em sala de aula.


Local: Hotel Renaissance - SP
Data: 07/05/2013
Horário: 08:30 às 17:30 hs.


Abraços

Prof. Me. Fernando Bueno

segunda-feira, 11 de março de 2013

Fórum de Teoria Geral da Administração


As relações geradas a partir das teorias da administração

A administração científica buscava a racionalização do trabalho, o conceito de homem econômico entre outros, enquanto que a teoria clássica abriu as portas para uma administração mais estruturalista, ou seja, com base associada à organização funcional. Já a teoria das relações humanas surgiu para corrigir uma tendência de desumanização do trabalho, ou seja, um movimento de oposição às duas anteriores. Seguramente, podemos afirmar que todos os modelos objetivaram a eficiência das organizações. Isto é fato....não há como dissociar o objetivo que é comum em todos os modelos”

FÓRUM

TEMA CENTRAL:

As influências provenientes das três teorias são contraditórias ou complementares?

Argumente sobre as teorias associando-as e expondo suas contradições e/ou complementações a partir de uma visão moderna de gestão.

 
FÓRUM DESENVOLVIDO PARA A TURMA DE ESPECIALIZAÇÃO EM PEDAGOGIA EMPRESARIAL DA FMU.

PRAZO ENCERRADO PARA AS PUBLICAÇÕES DOS COMENTÁRIOS: em 18/03 - 18:00 hs

Fórum de Marketing Internacional



TRECHO PARA ANÁLISE  


"A globalização da economia tem conferido às empresas a operacionalizarem em um novo contexto global de mercado no que se refere a escolha de fornecedores, matérias-primas, novos segmentos, enfim...escolhas de como e onde produzir seus produtos independentes de sua localização geográfica. Portanto, novas plataformas de geração de vantagens competitivas estão em pauta. A evolução do comex/marketing  passa pelos efeitos da internacionalização dos processos produtivos em resposta as proteções tarifárias (década de 70), da desaceleração da economia e saturação dos mercados ditos ricos, da ascensão econômica de alguns países, da própria formação dos BRIC´s, dos novos fluxos de mercado, das novas tecnologias e etc, alterando, seguramente, os perfis de demanda."


Tema do Fórum:

"Os desafios/consequências para o Marketing Global a partir da internacionalização dos negócios"


Argumente sobre o tema e justifique sua opinião!


PRAZO ENCERRADO PARA AS PUBLICAÇÕES DOS COMENTÁRIOS: em 18/03 - 18:00 hs

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fórum de Economia e Mercado


A realidade e as tendências do modelo econômico de desenvolvimento brasileiro

Introdução

A taxa de crescimento de consumo e investimentos ficou acima da taxa de crescimento da produção. Este modelo chegou a um limite e não é sustentável, segundo Samuel Pessoa (FGV). Apostando apenas no consumo e nos investimentos privados não vamos manter esses ganhos, sobretudo, por conta da desaceleração global, diz Alexandre Schwartsman (ex-diretor do BC). Já Bráulio Gomes (LCA consultores), discorda disso, pois diz que não podemos afirmar que o modelo estaria esgotado por apostar na expansão do consumo, sem a mesma contrapartida do investimento (privado e público). Segundo ao autor, os dados do IBGE dizem que houve um salto de 16% para 19% de investimentos  em relação ao PIB de 2008 a 2011 o que contradiz os autores anteriores que dizem que o modelo está em seu limite. Já Arminio Fraga diz que e natural e desejável que o consumo cresça e que parte disso ocorra a partir do crédito, mas sem exageros. Em tese, o crescimento da demanda deve vir acompanhado do crescimento da oferta para manter um PIB em ritmo crescente e equilibrado. Na pratica há uma situação explícita a qual não podemos ocultar: O consumo doméstico (consumo das famílias, governo e os “investimento das empresas”) cresce mais que a produção industrial, esse descompasso é preenchido por produtos/insumos importados. A reclamação bate sempre na mesma tecla: aumento do custo Brasil (tributos, logística, taxa de câmbio, juros, energia entre outros); até questões relacionadas ao nível de protecionismo à indústria local, criados pelo nosso governo, são colocados como barreiras, fazendo com que as empresas percam em competitividade.
Fecharemos o texto com a seguinte explanação da Presidenta Dilma: "para tornar o nosso modelo mais vigoroso e abrir este novo ciclo de desenvolvimento, vamos incorporar uma nova palavra: competitividade”. Fica uma questão: como desenvolver nossa indústria e a nossa sociedade como um todo a partir dessa “nem tão nova” palavra?

Gráfico: Produção industrial x Consumo doméstico
Fonte: ESP

Tema Central

“Os impactos da desaceleração econômica global para a economia nacional estão em função de questões estruturais e/ou conjunturais?”

Argumente sobre a questão expondo se o nosso modelo de desenvolvimento econômico-industrial é sustentável a partir das medidas federais e das críticas e suposições de outras vertentes analíticas.








segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Artigo: Logística Reversa e Sustentabilidade

RESUMO
No mundo atual, a competitividade nos obriga a aderirmos à inovação desenvolvendo novos conceitos de gestão. Embora já se discuta e se aplique em alguns setores, a logística reversa precisa ser mais explorada e vivenciada de forma que seja concebida no cerne da cultura das organizações que pretendem ser cada vez mais sustentáveis e competitivas.
O primeiro contexto do trabalho explicará os aspectos da trajetória da logística reversa, quando surgiram as primeiras iniciativas e como está a adoção e sua na atualidade. No decorrer do trabalho, as abordagens irão ao encontro das atitudes quanto à adoção e gestão da cadeia de reversa e por meio de um estudo de caso empresarial, dar-se-á um entendimento no que tange os fatores geradores de valor a partir do processo reverso e os respectivos benefícios da responsabilidade social a partir da adoção e aplicação sustentável. E finalizando, as considerações e perspectivas referente à análise.


Prof. Fernando Bueno; Profa. Estela Sales; Prof. Enio Fernandes

Revista Ajes - 6º Edição - ISSN: 2177-5923



sábado, 29 de outubro de 2011

Automóveis mais baratos e mais empregos: qual o segredo?

O que precisamos para ter carros mais baratos, manter e ainda gerar mais empregos?

Estamos no centro de um período em que muitos produtos, antes custosos e com baixo desempenho, estão cada vez mais baratos e eficientes/eficazes. Estamos nos referindo aos eletrodomésticos (televisão, geladeira...), eletrônicos (computador, filmadoras..) entre outros , mas ainda não mencionamos os automóveis.
Os automóveis, seguramente, estão melhores e mais eficientes. Entretanto, pouco acessíveis para o consumidor final. É passível de indignação quando nos deparamos com notícias que abordam determinados cenários internacionais como: “países em que as pessoas possuem rendas maiores que as nossas compram um veículo pela metade do preço”. Mas por que este cenário insiste em aparecer?
Certamente, podemos dar um basta nessa história de falar que a culpa é exclusivamente dos impostos. A FIESP Aponta isso como razão maior dos problemas enfrentados pela indústria de transformação. Seguramente, os impostos pesam no composto produtivo, mas em qualquer lugar do mundo eles existem e são altos também. A realidade nua e crua é que as montadoras de automóveis possuem um nível de margem de lucro tal que outros setores não conseguem acompanhar o cenário de lucratividade das montadoras. Não pretendemos entrar no mérito da discussão das razões dessa margem, mas devemos entender que isto se mantém pela falta de concorrência. Elas (poucas montadoras) são os agentes dominantes de um mercado em franco crescimento.
Pois bem, temos boa memória e sabemos que “escancarar” as portas do Brasil e trazer veículos de outras nacionalidades é desastroso para a produção nacional (O trabalhador brasileiro, em tese, sofre os impactos dessas ações). Isto já foi feito há duas décadas (e estão começando a fazer de novo trazendo os carros chineses), e o saldo final foi uma massa desempregada. Para complicar, os concorrentes internacionais se adequam ao sistema nacional, que é atrativo, e com o tempo passam a ser mais um no cartel, não contribuindo tanto no quesito “custos” para o consumidor final. E ainda, as montadoras ditas locais começam a importar componentes (dizendo ser o único meio de manter a competitividade) ou tornam-se também importadoras.
Cada veículo possui em média uma “tonelada” de componentes encaixados que geram muitos empregos e poderiam ser fabricados no Brasil. É isto que precisamos para o desenvolvimento da cadeia produtiva no Brasil; o que gera e mantém empregos para a nossa geração e, sobretudo, para as futuras gerações é criar/fazer os componentes automotivos. Quando saímos na rua e vemos um veículo importado rodando, trata-se de um golpe na geração de empregos. O veículo e um relevante gerador de emprego, além de ser uma boa fonte de arrecadação pública; e o melhor de tudo: precisamos e desejamos marcas, modelos e tudo aquilo que o automóvel é capaz de contemplar.
Vamos agora para a questão central: Veículos mais “baratos” = manutenção e geração de empregos?
Quando importamos, em tese, temos preços mais baixos e como consequência, gera-se desemprego. Este é o cenário com o qual nos deparamos. Entretanto, será que não dá para contemplar os dois fatores da equação acima, ou seja, torná-la de fato uma equação em que um lado corresponde ao outro?
Após muito discutirmos o cenário, chegamos a conclusão que sim, há um meio. A resposta da equação está aqui dentro de nossas fronteiras e diga-se de passagem, território este que é propício para se trabalhar e gerar renda.
A pergunta que poderia responder a equação: Por que não surgem no Brasil montadoras nacionais? Impossível de acontecer?
De modo algum, isto é realmente possível. Temos uma rede de fornecedores de autopeças que dominam e fabricam praticamente todas as peças dos veículos. Temos grandes produtores de ferro, borracha, vidro, plásticos e alumínio que são os principais insumos na fabricação dos componentes. Os componentes os quais temos dificuldade de produzir devido as tecnologias externas são poucos e podem ser importados, pois o automóvel, em função de sua natureza produtiva, tornou-se um produto modular, ou seja, compram-se as partes (pacotes) em qualquer parte do mundo e depois realiza a montagem até se transformar num veículo.
O que estamos esperando para iniciar uma dúzia de montadoras nacionais? Porque os grandes produtores de commodities (ferro, borracha, alumínio e etc) não aumentam o valor agregado de seus produtos entrando nesse segmento?
Agora vem a questão da importação: o que fazer para evitar a concorrência de países que entregam automóveis com design moderno, de baixo custo de aquisição e que apresentam um ciclo de vida curto, ou seja, sua durabilidade é pequena?
Seguramente, temos uma boa alternativa e não refere-se a proibir sistematicamente a importação impondo cotas, por exemplo. Este mecanismo não tem mais espaço no mundo globalizado de hoje, o que realmente precisamos é impor barreiras técnicas eficientes (que é uma forma de protecionismo, porém, uma forma inteligente), da mesma forma que os EUA e os países da Europa fazem.
Se para cada tipo de veículo importado, houver uma lista bem elaborada de exigências quanto o desempenho e segurança do veículo, certamente, o cenário seria diferente. Temos o “Inmetro” que realiza tais procedimentos técnicos para muitos produtos evitando que nosso mercado seja inundado com produtos ineficientes que, por sua vez, eliminam a capacidade de geração de emprego das nossas empresas e ofendem o consumidor consciente.
Segue um exemplo: O consumidor (no mundo inteiro) compra aquilo que alinha-se as expectativas dele e o elemento ‘qualidade e preço’ são condicionantes na decisão de compra. Em alguns segmentos, por exemplo, os mais populares, o preço ainda representa um elemento estimulador de primeira ordem e a qualidade, o consumidor verificará depois do ato já consumado. Na contramão disso, se o produto não tiver requisitos mínimos de qualidade e segurança , certamente, o mesmo poderá ser uma ameaça à segurança e aos direitos mínimos garantidos por lei desse consumidor. Uma prova disso foi um modelo de perua asiática que inundou nosso mercado nos anos 90 e foi muito usada por vendedores de lanches de rua. O Veículo parecia funcional, baixo custo, porém, em determinadas situações de frenagem, o veículo capotava com muita facilidade, além das questões relacionadas a uma mecânica frágil.
Se esses veículos fossem submetidos ao processo de certificação com normas brasileiras exigentes de um mercado desenvolvido e preocupado com a credibilidade do setor, tudo seria bem diferente. O governo deve atuar nesse sentido, porque o consumidor desse segmento, e não é só no Brasil, não consegue ainda na proporção ideal avaliar e definir a qualidade e a segurança do produto que compra. Não é prioridade para uma grande fatia do mercado.
O governo está acenando com incentivos que isentam os tributos do produto final progressivamente, ou seja, quanto mais componentes “made in Brazil” for incorporado ao produto final, maior será a carga de incentivos fiscais. Seguramente, é um cenário promissor para as nossas bases locais de desenvolvimento de produtos, mas não suficiente. Será necessário um plano industrial de incentivos as montadoras nacionais e investir massivamente em barreiras técnicas impedindo uma concorrência externa de qualidade inferior de forma a credibilizar o setor e, sobretudo a P&D, solidificando e gerando empregos sustentáveis, proporcionando preços mais acessíveis e maior qualidade e segurança.




Autores: Engº Cássio Cozman
Prof. Me. Fernando Bueno
Postado em 28/10/2011


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Desenvolvimento Econômico e Desigualdade:as novidades pós consenso de Washington



Fonte/Autor: Carlos Lopes, Set/2011


A palavra “pós” tornou-se num lugar-comum, sendo usada nas várias vertentes dos cenários da globalização, assinalando a ruína de conceitos ocidentais usados durante muito tempo para explicar e governar o mundo. Com a crise avassaladora que atingiu os países ricos(2) e o falhanço dos sistemas financeiros que regem a economia global, entramos numa nova era. Ela é caracterizada por mudanças não só conjunturais, mas também estruturais. È uma profunda transformação que afecta percepções e distribuição de poder. Será esta transformação o fim do chamado Consenso de Washington?
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O que significa o Consenso de Washington?
O termo Consenso de Washington tem origem num conjunto de regras básicas, identificadas pelo economista John Williamson em 1990, baseadas no pensamento político e opiniões que ele acreditava reunirem consenso amplo naquela época. O conjunto de medidas incluía: 1) disciplina fiscal; 2) redução dos gastos públicos; 3) reforma tributária; 4) determinação de juros pelo mercado; 5) câmbio dependente igualmente do mercado; 6) liberalização do comercio; 7) eliminação de restrições para o investimento estrangeiro direto 8) privatização das empresas estatais; 9) desregulamentação (afrouxamento das leis económicas e do trabalho); 10) respeito e acesso regulamentado à propriedade intelectual. A referência a “consenso” significou que esta lista foi baseada num conjunto de ideias partilhadas, na época, pelos círculos de poder de Washington, incluindo o Congresso e a Administração dos Estados Unidos da América (Tesouro e Federal Reserve Bank), por um lado, e instituições internacionais com sede em Washington, tais como o FMI e o Banco Mundial, por outro, apoiados por uma série de grupos de reflexão e economistas influentes.
É importante notar que os alicerces teóricos na base destas recomendações políticas se encontram na economia neoclássica, que expressa uma firme convicção na necessidade de deixar agir a “mão invisível” do mercado. Trata-se da crença na racionalidade da escolha dos actores económicos, e visão minimalista da regulação económica dos Estados. O advento deste novo paradigma também marcou o recuo da economia do desenvolvimento como campo distinto, depois de dominada pela Teoria da Dependência e outros conceitos [NAIM, 1999], que frequentemente se encontravam em nítido contraste com a economia neoclássica e o individualismo metodológico. Foi a economia do desenvolvimento que guiou a formulação de políticas alternativas em países ditos em desenvolvimento antes da era do Consenso de Washington. A maioria dos governos Africanos independentes, por exemplo, tentou promover a industrialização, num esforço para criar produtos locais de substituição de importações, promover o emprego, aumentar o nível de vida, e sair do ciclo vicioso dos padrões de comércio. Estas hipóteses foram sobretudo estruturadas pela dupla Prebisch-Singer (termos de troca desfavoráveis para países exportadores de produtos de base e importadores de produtos manufaturados). As soluções oferecidas pelo Consenso de Washington, apresentadas como universais, contrapunham estas teorias e pretendiam ter uma aplicabilidade similar em todos os países, embora na realidade essa universalidade apelasse para tratamentos discriminatórios.
As políticas do Consenso de Washington foram aplicadas durante mais de duas décadas em contextos muito variados na África, América Latina, países da Europa de Leste e Ásia Central. Os países normalmente passavam por duas grandes fases, com o foco de intervenção a expandir-se primeiro na estabilidade macroeconómica e ajustamentos estruturais e, depois, incluir reformas institucionais que podiam incluir lutar contra a corrupção e ineficiências de infra-estruturas. [NAIM, 1999] A condicionalidade exercida pelas instituições de Bretton-Woods e países ricos, tiveram um papel decisivo nas decisões dos países endividados do Sul. Impulsionaram reformas de estabilização macro-económica e programas de ajustamento estrutural. O problema do dívida que emergiu durante os anos 70’ até aos anos 80’, na América Latina, e depois também no contexto africano, aumentou ainda mais a dependência desses países dos empréstimos externos, não deixando outra opção senão seguir as prescrições que permitiam aceder a financiamentos.
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O que falhou?
As políticas do Consenso de Washington foram muito criticadas por um largo número de economistas de renome desde os anos 90’. De maneira notória até Joseph Stiglitz, que foi economista-chefe do Banco Mundial, criticou as políticas do FMI em resposta às crises financeiras na Rússia e na Ásia. [STIGLITZ, 2003] Paul Krugman foi a favor de impor o controlo no fluxo de capitais pelos governos asiáticos em 1997-98. Gerou-se um debate sobre a resposta à crise que ilustrou bem o profundo desacordo entre economistas de renome, defendendo posições opostas, de apoio ou de oposição ao FMI. Os puristas do Consenso de Washington insistiam na importância da estabilização das taxas de câmbio em tempos de crise, através de cortes no orçamento público, impostos e taxas de juro mais altos e outras medidas recessivas. Os seus opositores criticavam estas políticas, que na sua opinião conduziriam a uma recessão. [NAIM, 1999] Stiglitz chamou a atenção para o facto dos aumentos fortes nas taxas de juro contribuirem para o agravamento da crise [STIGLITZ, 2003].
Atualmente é um denominador comum dizer que ajustamentos estruturais e programas de estabilização macro-económica tiveram um impacto desastroso nas políticas sociais e nos níveis de pobreza em muitos dos países. No seguimento da primeira vaga de reformas adotadas pelos países africanos e latino-americanos endividados -incluindo cortes nas despesas públicas, introdução de medidas de recuperação de custos nas áreas da saúde e educação, e reduções na proteção industrial, levando a um aumento do desemprego, probreza e distribuição de rendimentos- a UNICEF produziu o relatório “Adjustment with a Human Face”, instigando o redirecionamento das “meso-políticas” para a proteção de setores económicos e sociais cruciais para a sobrevivência dos pobres, através da introdução de programas de proteção social. [UNICEF, 1987]
O período de ajustamentos estruturais na África Sub-Sahariana, nos anos 80, foi marcado por um baixo desempenho económico. Os dados para o período entre 1979-1992 mostram que o PIB aumentou menos de 1% em África, enquanto no Leste Asiático e no Pacífico, onde o Estado teve políticas ativas nas áreas industriais, sociais e de mitigação da pobreza, registou-se um crescimento médio de 5% – entre 1986 e 1992. As exportações africanas estagnaram durante o mesmo período, enquanto os investimentos declinavam. A quota de exportações mundiais de África diminuiu em mais de metade entre 1975 e 1990. Também a quota de exportação de alimentos e bens alimentares dos países em vias de desenvolvimento caiu de 21% para 8,1%. Para bens manufaturados, a quota baixou de 7,8% em 1980 para 1,1% em 1990. Alguns críticos chamaram a atenção para o fato das políticas de liberalização e eliminação de subsídios de fertilizantes afetarem negativamente a produção agrícola e os rendimentos. A reforma dos preços promoveu a exportação de produtos de exportação em vez de culturas alimentares tradicionais. Outros críticos argumentaram que as culturas de exportação contribuíram para aumentar a dívida; ou ainda que os programas de ajustamento estrutural exacerbaram a distribuição desigual da terra, sob a promessa de que os preços da terra seriam eficientemente regulados pelo mercadoem vez de sistemas de titulação mais arcaicos; ou que incentivariam a desindustrialização, através da privatização e promoção de mercados desregulados. [SAHN, DOROSH, YOUNGER, 1997]
Um dos inconvenientes maiores das políticas impostas pelo FMI e Banco Mundial em África foi a falta de domínio técnico e capacidade estratégica por parte dos países implementadores. Estabeleceu-se uma relação estruturalmente desigual entre doador e beneficiário, em parte devido à debilitação de capacidades no setor público provocados pela redução drástica da máquina administrativa. Uma rápida e incontrolada liberalização das então pequenas economias africanas colocou outros perigos, tais como uma alta volatilidade de fluxo de capitais, mas mais importante, e que representa um problema maior para as economias africanas, o fato do “seu potencial crescimento ter sido diretamente afetado pela sua capacidade de exportar e usar rendimentos da exportação para diversificar a produção. A sua capacidade foi constrangida por um regime de comércio global inimigo do desenvolvimento e das vantagens comparativas dos países africanos. O acesso limitado aos mercados de texteis de baixo-custo, algodão e produtos agrícolas e a competição por parte da exportação de economias industriais altamente subsidiadas diminuíram o crescimento efetivo.» [MANUEL, 2003]
O impacto social destas reformas foi desastroso para a África Sub-Sahariana. Muitos economistas reconheceram que as dificuldades associadas com a aplicação da estabilidade macroeconómica e a liberalização das economias afetou os pobres desproporcionadamente, contribuindo para maior pobreza e distribuição desigual de rendimentos. As instituições financeiras internacionais, particularmente o Banco Mundial, demonstraram uma grande arrogância intelectual, não reconhecendo durante muito tempo o imenso impacto negativo destes programas, refutando as denúncias de muitos, limitando-se apenas a promover programas compensatórios. [SAHN, DOROSH, YOUNGER, 1997]
A estabilização macroeconómica e as políticas de ajustamento estrutural desencadearam uma onda de tumulto popular que contribuiu inclusive para o despoletar ou alimentar muitas guerras civis nos anos 90. A crise asiática de 1997 também levantou algumas questões importantes sobre as consequências da desregulação dos mercados financeiros e os limites do pensamento político baseado no Consenso de Washington.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Transformação da cadeia produtiva de P&G - Pré-Sal

No próximo dia 08/08/11, estarei participando do evento "Diálogos Capitais"com o tema "Pré-Sal - Uma transformação na cadeia produtiva de Petróleo e Gás", com participação do Governador Geraldo Alckmin, Paulo Skaf, Edison Lobão, José Sergio Gabrielli entre outros no hotel Caesar Business em SP.
O foco do evento será à análise de algumas alternativas e cenários no que tange o Desenvolvimento da Cadeia de P&G no Brasil, passando por todas as fases de implantação e sustentação quanto à exploração, desenvolvimento e produção.
Espero discutir os efeitos e a amplitude de atuação da Petrobrás, por meio do Governo Federal, no sentido de planejar, dirigir e controlar as dimensões organizacionais e de P&D de forma a preservar e sustentar uma cadeia produtiva que, certamente, passará por transformações a médio/longo prazo. A inovação e as medidas de fortalecimento da indústria de base nacional devem ser o foco do evento. Espero sinceramente que as questões partidárias e de conveniências unilaterais não sejam elementos centrais do seminário. Logo estarei postando novas informações. Prof. Fernando Bueno

domingo, 29 de maio de 2011

Remédio em excesso mata!

Por Amir Khair, fevereiro de 2011

Os remédios têm em suas bulas a posologia, ou seja, as dosagens que podem ser tomadas para produzir o melhor efeito no combate ao problema de saúde. O médico, após o diagnóstico, tem que decidir qual o remédio ministrar e a posologia adequada ao tratamento.

O mesmo ocorre para a economia. Uma das doenças a ser tratada é a inflação e o remédio mais usado tem sido uma alta taxa básica de juros, a Selic. A partir do dia 06/dez um novo remédio foi usado pelo Banco Central (BC) visando conter “certos excessos do mercado de crédito”. Ele impôs uma reserva maior de dinheiro pelos bancos quando concederem empréstimos para consumidores com prazo acima de dois anos. No caso de automóveis, essa reserva varia conforme a entrada que o comprador do veículo der. Além disso, o BC elevou o recolhimento compulsório dos bancos, tirando da economia cerca de R$ 65 bilhões.

Os efeitos deste remédio foram eficazes e imediatos, pois de acordo com o BC, até o final de janeiro, a taxa do crédito pessoal subiu de 40,3% para 49,4% ao ano, o prazo médio reduziu de cinco para quase três anos e a média diária das concessões de crédito pessoal caiu 19%! No caso dos veículos, a taxa do financiamento subiu cinco pontos nos bancos convencionais e quatro nos bancos de montadoras, o prazo médio recuou de três anos e meio para menos de três e a concessão de crédito caiu 45% nos bancos convencionais e 35% nos bancos das montadoras.

Outros indicadores confirmam queda ou estabilidade no nível de atividades depois dessas medidas macroprudenciais. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE de dezembro ficou estável em relação a novembro, e em janeiro, o indicador de atividade do comércio elaborado pela Serasa apresentou queda de 2,7%. Avalia-se que as vendas do varejo tendem a ser prejudicadas pela redução da oferta de crédito.

Quanto ao remédio taxa básica de juros a posologia adotada mundialmente é aproximá-la da taxa de inflação. Atualmente está um ponto abaixo da inflação na média mundial e nos países emergentes meio ponto abaixo. Mas no Brasil é de 5,5 pontos acima, ou seja, uma posologia anormalmente elevada, que além de não resolver a doença da inflação traz vários efeitos colaterais danosos ao corpo econômico.

1) Aumenta as despesas do governo – A Selic contamina no curto e no médio prazo todas as taxas de juros dos títulos do governo federal cuja dívida está atualmente em R$ 1,7 trilhões. Cada ponto de aumento da Selic aumenta a despesa com juros do governo federal em R$ 17 bilhões! Como essa dívida é crescente, especialmente por causa da elevação das reservas internacionais, do aporte de recursos do Tesouro Nacional ao BNDES – que são feitos com a emissão de títulos – e da Selic, esse dano será maior neste ano, anulando parte expressiva do corte de R$ 50 bilhões no orçamento do governo federal.

2) Causa elevado custo de carregamento das reservas internacionais – O BC tem mais de US$ 300 bilhões de reservas, que são aplicadas especialmente em títulos do Tesouro americano com juros de cerca de 1,5% e paga juros de 11,25%. Além disso, há a perda cambial com a valorização do real perante o dólar. No ano passado o custo de carregamento desta dívida foi estimado em R$ 26,6 bilhões pelo BC, mas esse cálculo parece conservador frente a outros estudos que apontam para R$ 45 bilhões. Neste ano deverá se elevar mais, pois crescem as reservas e a Selic em relação ao ano passado.

3) Valoriza o real perante o dólar – os especuladores do mercado internacional captam recursos a taxas próximas a zero e aplicam nos títulos do governo federal que pagam taxas elevadas. São ganhos líquidos e certos, sem riscos. O BC está dando um presentão a esses especuladores para manter o real apreciado e funcionar como âncora cambial, barateando as importações e encarecendo nossas exportações. Isso tira o poder competitivo das empresas do País tanto interna quanto externamente, causando um rombo nas contas externas, que pode se tornar explosivo. Esse risco existe, caso se mantenha essa situação, pois a política dos países desenvolvidos é continuar inundando o mundo com suas moedas para permitir elevar suas exportações e reduzir suas importações.

O mais grave é que o paciente Brasil ainda não se deu conta que está tomando o remédio errado e em doses cavalares. Ele tem, ainda, uma boa saúde, mas está ficando cada vez mais debilitado com os efeitos colaterais do remédio. O pior é que o médico já avisou que vai elevar essa dosagem, pois não está havendo a cura e o paciente tem confiança no médico e não pensa em mudá-lo. Se continuar assim, corre sério risco de espalhar em seu organismo novos problemas, que certamente serão combatidos com mais elevação da dosagem do mesmo remédio. Assim, o paciente corre o risco de vir a morrer.

A pergunta que fica é: Não dá para trocar de remédio uma vez que o outro (medidas macroprudenciais) já provou sua eficácia além de não causar os efeitos colaterais apontados? Dá, e isso precisa ser feito imediatamente rumando em prazo, o mais curto possível, para as taxas de juros a nível internacional e continuar aferindo os efeitos das medidas macroprudenciais, regulando sua posologia para que o apetite de consumo não tencione a inflação.

O consumo das famílias, que responde por 75% do consumo total, é fortemente influenciado pela oferta de crédito via taxas de juros e prazos de financiamentos. As medidas macroprudenciais, que podem influir o nível da oferta de crédito e suas taxas de juros, têm efeito imediato. As taxas Selic levam, segundo o BC e o mercado financeiro, cerca de nove (!) meses para produzir efeito. Em nove meses ninguém sabe o que estará ocorrendo no mundo e em nossa economia, pois o tempo é longo demais para previsões. Há pouco não se previa a revolta no mundo árabe e ninguém sabe onde isso vai dar, com repercussões nos preços do petróleo, em forte ascensão.

Outra questão que chama a atenção é o ciclo vicioso criado pelo BC: 1) mantém a Selic elevada para servir como âncora cambial; 2) com isso atrai capital externo para lucrar com essa taxa; 3) isso aprecia o real; 4) para segurar essa apreciação o BC compra dólares aumentando as reservas; 5) reservas maiores atraem mais capital externo, pois aumenta a garantia às aplicações externas. Ou seja, ele cria o problema e o agrava com sua “solução”.

Várias vezes o jornalista Celso Ming, em sua coluna no Estado, chamou a atenção que, quanto maiores as reservas internacionais mais atração exercerão para a entrada de capital externo.

Como resultado desse processo da ação do BC, eleva-se a dívida bruta do País, as despesas com juros do governo federal e o custo do carregamento das reservas. E tudo isso tem efeito imediato; não precisa de nove meses para repercutir numa improvável alteração da inflação.

Quanto à teoria das expectativas de que as alterações da Selic servem para conduzir os agentes econômicos a adequar seus preços conforme a meta de inflação, isso não ocorre, pois ao contrário dos outros países, onde essa teoria funciona razoavelmente, a distância entre a Selic e a taxa de juros dos bancos é tão grande, que permite variar as taxas dos bancos conforme outros interesses visando ampliar seu mercado na disputa com bancos mais agressivos em sua expansão, além das pessoas e empresas terem mais alternativas de escolha das melhores ofertas de financiamento.

A teoria das expectativas faz mais sentido para as medidas macroprudenciais, pois o seu efeito é imediato sobre o crédito, que é a perna principal da adequação do nível de consumo. As expectativas, no entanto, estão sendo mais influenciadas pela inflação corrente do que pela inflação projetada, sempre sujeita a toda sorte de erros. A inflação está sendo influenciada mais pela realidade internacional nos preços dos alimentos e commodities do que por qualquer outro fator e sobre isso pouco se pode fazer a não ser restringir o galope do crédito.

Para que possa ocorrer a mudança do remédio velho para o de nova geração, que já mostrou sua eficácia, é necessário que o BC, que já dispõe de autonomia operacional em relação ao governo e aos políticos, comece a exercê-la também em relação ao mercado financeiro, o qual adora uma Selic elevada, pois amplia sem riscos seus lucros.

Para isso é fundamental cortar a relação simbiótica que sempre existiu entre ambos. Isso agora tem melhor chance de ocorrer, uma vez que os membros que compõem o Comitê de Política Monetária (Copom) são todos funcionários de carreira do próprio banco. Além disso, já passou da hora de usar o Boletim Focus baseado em cem instituições financeiras como fonte de consulta sobre projeção de inflação e da Selic. O BC precisa estender suas consultas à academia e às instituições que representam o setor real da economia se quiser ter maior credibilidade e possuir diagnósticos mais confiáveis e de melhor qualidade.

Já passou da hora de mudar de remédio.


*Publicado no jornal O Estado de São Paulo em 27 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

POLÍTICA MONETÁRIA E A INFLAÇÃO

Texto de "Amir Khair, Fevereiro de 2011"

"REMÉDIO EM EXCESSO MATA"

Os remédios têm em suas bulas a posologia, ou seja, as dosagens que podem ser tomadas para produzir o melhor efeito no combate ao problema de saúde. O médico, após o diagnóstico, tem que decidir qual o remédio ministrar e a posologia adequada ao tratamento.

O mesmo ocorre para a economia. Uma das doenças a ser tratada é a inflação e o remédio mais usado tem sido uma alta taxa básica de juros, a Selic. A partir do dia 06/dez um novo remédio foi usado pelo Banco Central (BC) visando conter "certos excessos do mercado de crédito". Ele impôs uma reserva maior de dinheiro pelos bancos quando concederem empréstimos para consumidores com prazo acima de dois anos. No caso de automóveis, essa reserva varia conforme a entrada que o comprador do veículo der. Além disso, o BC elevou o recolhimento compulsório dos bancos, tirando da economia cerca de R$ 65 bilhões.

Os efeitos deste remédio foram eficazes e imediatos, pois de acordo com o BC, até o final de janeiro, a taxa do crédito pessoal subiu de 40,3% para 49,4% ao ano, o prazo médio reduziu de cinco para quase três anos e a média diária das concessões de crédito pessoal caiu 19%! No caso dos veículos, a taxa do financiamento subiu cinco pontos nos bancos convencionais e quatro nos bancos de montadoras, o prazo médio recuou de três anos e meio para menos de três e a concessão de crédito caiu 45% nos bancos convencionais e 35% nos bancos das montadoras

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Guerra de divisas (Guerra cambial).

O texto de Wallerstein, por curto e superficial que seja, explicita uma preocupação latente de muitos analistas: o desconforto de quem tem reservas em dólar ou em títulos do governo americano é crescente, o déficit externo americano é dificilmente sustentável, a armadilha de quem acumulou reservas em dólar e se vê constrangido a sustentá-lo para evitar perdas maiores não garante nenhuma estabilidade. O cassino financeiro especulativo mundial e a ausência de um sistema equilibrado de moeda para trocas internacionais, que não dependa de um só país, se conjugam de maneira cada vez mais preocupante.
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Por Immanuel Wallerstein, Novembro de 2010

Las divisas son un problema económico muy particular. Porque las divisas son la verdadera relación donde unos ganan y otros pierden. Sean cuales sean los méritos de la revaluación o devaluación de una divisa particular, estos méritos son ganancias sólo si otros pierden. No puede todo mundo devaluar al mismo tiempo. Es imposible lógicamente y por tanto carece de sentido en lo político.
La situación mundial es bien conocida. Hemos estado viviendo en un mundo donde el dólar estadunidense ha sido la divisa mundial de reserva. Esto, por supuesto, le ha dado a Estados Unidos un privilegio que ningún otro país tiene. Puede imprimir su divisa a voluntad, siempre que piense que al hacerlo resuelve algún problema económico inmediato. Ningún otro país puede hacer esto; o más bien ningún otro país puede hacerlo sin penalización mientras el dólar se mantenga como la divisa de reserva aceptada.

Es también muy conocido que, por algún tiempo ya, el dólar ha estado perdiendo su valor en relación con otras divisas. Pese a las fluctuaciones continuas, la curva ha sido descendente tal vez durante 30 años por lo menos.

Los países del noreste de Asia –China, Corea y Japón– han emprendido políticas relativas a las divisas que otros países han criticado. De hecho éste es un asunto que es el objeto de una atención constante en los medios. Sin embargo, para ser justos, en este momento no es de ningún modo fácil establecer la política más sabia, aun desde la perspectiva egoísta de cada país.

Yo considero que el asunto subyacente es más simple que las enredadas explicaciones de la mayoría de los analistas de política. Comienzo con algunos cuantos supuestos. El estatus del dólar como divisa de reserva del sistema-mundo es la última ventaja importante con que cuenta Estados Unidos en el sistema-mundo de hoy. Es por tanto entendible que Estados Unidos hará lo que pueda para mantener esta ventaja. Para hacer eso, requiere de la voluntad de otros países (incluidos, notablemente, esos del noreste de Asia) no sólo para que usen el dólar como modo de calcular las transferencias sino como algo en lo cual invertir sus excedentes (particularmente en bonos del Tesoro estadunidense).

No obstante, la tasa de cambio del dólar ha ido deslizándose constante. Esto significa que tales excedentes invertidos en bonos del tesoro valen menos conforme pasa el tiempo. Llega un punto en que las ventajas de tal inversión (siendo la principal ventaja el sostener la capacidad de las empresas estadunidenses y los consumidores individuales para pagar por sus importaciones) serán menores que la pérdida del valor real de las inversiones en bonos del Tesoro. Ambas curvas se mueven en direcciones opuestas.

El problema es uno que está presente en cualquier situación de mercado. Si el valor de unas acciones está cayendo, los dueños querrán deshacerse de ellas antes de que caigan muy bajo. Pero si un accionista grande se deshace de ellas muy rápido, esto puede impeler a que otros corran a vender, lo que ocasiona pérdidas aún mayores. El juego es siempre encontrar un momento elusivo para deshacerse de las acciones, uno que no sea ni demasiado tarde ni demasiado pronto, ni demasiado lento, ni demasiado aprisa. Esto requiere un sentido perfecto del tiempo, y la busca de esta sincronía perfecta es el tipo de juicio que con frecuencia se tuerce.

Esto es lo que veo como retrato básico de lo que está ocurriendo y ocurrirá con el dólar estadunidense. No puede continuar manteniendo el grado de confianza mundial de que alguna vez gozó. Tarde o temprano, la realidad económica se le empatará. Esto puede ocurrir en una conmoción de cinco minutos o en un proceso mucho más lento. Pero cuando ocurra, la pregunta clave es ¿qué ocurrirá entonces?

No hay hoy otra divisa que tenga el equilibrio necesario para remplazar al dólar como divisa de reserva. Siendo ese el caso, cuando el dólar caiga, no habrá divisa de reserva. Estaremos en un mundo multipolar de divisas. Y un mundo multipolar de divisas es un mundo muy caótico, en el cual nadie se siente a gusto porque los constantes virajes repentinos de las tasas de cambio hacen muy precarias las mínimamente racionales predicciones económicas de corto plazo.

El director administrativo del Fondo Monetario Internacional, Dominique Strauss-Kahn, en este momento advierte públicamente que el mundo se está hundiendo en una guerra de divisas, cuyo resultado “podría tener un impacto negativo y muy dañino en el más largo plazo”.

Una posibilidad real es que el mundo pueda revertir, a mí me parece que ya lo está haciendo, a acuerdos de trueque de facto, una situación que no es en realidad compatible con el funcionamiento efectivo de la economía-mundo capitalista.